Programa
Reivindicativo e Programa Revolucionário
Este documento é um complemento as Resoluções
do II Congresso da União Popular Anarquista e ao Programa Revolucionário
formulado por ele. È um documento político que determina as orientações da
União para a luta popular no curto e médio prazo, assim como apresenta o nosso
programa de longo prazo de reivindicações.
Este documento então: a) discute a
distinção entre Programa Revolucionário e o Programa Reivindicativo; b) define
um conjunto de orientações e medidas práticas a serem adotadas pelas
organizações de massa nas suas lutas e apresenta o programa revolucionário da
união anarquista.
Discutir a diferença e a relação entre o
Programa Reivindicativo e o Programa Revolucionário também faz parte da
reflexão teórica sobre a organização anarquista e a organização de massas. Como
afirmado no documento político “A Revolução Social no Brasil – Resoluções do II
Congresso da UNIPA”, a Organização Anarquista porta um Programa Revolucionário
enquanto as Organizações de Massas portam um Programa Reivindicativo.
Tais programas não só não são
contraditórios como são necessariamente complementares. Eles acompanham a
dialética da organização política com a organização de massas. Assim, a
formulação de tal questão é fundamental para compreendermos com clareza o papel
do anarquismo na revolução.
Para isso é preciso compreender a relação
entre programa e conjuntura histórica, como a cada conjuntura corresponde um
programa específico. E esta conjuntura depende fundamentalmente da correlação
de forças entre as classes sociais. Ou seja, o programa está vinculado
diretamente a dinâmica da luta de classes e ao
problema do poder.
1 - Situação Revolucionária e Programa Revolucionário.
O Programa Revolucionário se relaciona
diretamente a situação revolucionária. Sem uma
Situação Revolucionária, ou seja, uma guerra de classes, é impossível colocar o
programa revolucionário em prática.
O Programa Revolucionário muda toda a
organização da sociedade. Tal mudança se processa por meio do emprego da força
revolucionária do proletariado. Mas tal força é não o ponto de partida da luta
política, mas sim o ponto de chegada.
O proletariado se encontra com diferentes
graus de organização, experiência e consciência revolucionária nos diferentes
países, e mesmo dentro de diferentes regiões num mesmo país. Somente quando
esta organização e consciência alcançam graus elevados (combinado com outros
fatores objetivos) é que explode uma situação revolucionária. Esta situação é
fruto do conflito político e econômico entre as organizações concretas do
proletariado (comitês de fábrica, sindicatos, movimentos de desempregados, de
associações comunitárias) e o Estado e organizações burguesas.
Foi isso que aconteceu na Rússia de 1917;
foi isso que aconteceu durante a Guerra Civil Espanhola em 1936. São dois
exemplos de situações revolucionárias. No caso da Rússia, a I Guerra Mundial
provocou a deterioração econômica e social do país. O proletariado se
mobilizou, se armou e derrubou o regime czarista (a monarquia). Na Espanha, o
levante Franquista (do General Franco, comandante do
Exército espanhol e simpatizante do nazismo-fascismo) provocou a Guerra Civil.
O Povo tomou os quartéis para lutar contra o golpe de estado. Mas estas
situações revolucionárias só se colocaram em razão de um processo histórico
específico.
Na Rússia existia uma história de luta de
massas e luta armada contra o Czar. Vários Partidos políticos (Partido Operário
Social-Democrata da Rússia/POSDR, Partido Operário
Social-Democrata da Rússia/POSDR-Bolchevique, o
Partido Socialista Revolucionário) e movimentos sociais (a União dos
Camponeses, o Congresso dos Soviets, o Sindicato dos
Ferroviários, os Comitês de Fábrica e do Exército) existiam, seja desde o
início de 1900, seja sendo formados no período da revolução de 1905 ou nos anos
de 1916-1917, durante a crise da guerra.
Na Espanha, existia a CNT (Confederação
Nacional do Trabalho, fundada em 1910), organização de sindicatos com cerca de
1 milhão de filiados. Além dela, existia a União Geral dos Trabalhadores.
Existiam também as organizações políticas, a FAI (Federação Anarquista
Ibérica), o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), o PSUC (Partido
Socialista Unificado da Catalunha).
Também havia um fermento de lutas políticas
intensas. Durante a década de 20 houve uma ditadura e luta armada. Em 1931 foi
derrubada a monarquia. Em 1934 houve vários levantes insurrecionais localizados
organizados pela FAI/CNT. Nos primeiros meses de 1936
foram realizadas dezenas de greves gerais, com ocupação de fábrica.
A Situação Revolucionária é caracterizada por
esta grande mobilização proletária e pelo povo em armas. Em 1917, POSDR-Bolchevique, conseguiu dentro da situação
revolucionária colocar seu programa para o movimento de massas, e graças à
força deste movimento derrubou o governo provisório em Outubro de 1917. Na
Espanha, o movimento anarco-sindicalista, carente de
um programa e degenerado internamente foi levado à colaboração com a burguesia.
Mesmo dentro de condições favoráveis não foi feita uma revolução.
O que importa dizer é que somente dentro da
situação revolucionária é que o programa revolucionário é realizável. Por isso,
como coloca Bakunin, não se deve começar a falar ao
proletariado dos problemas gerais do capitalismo, mas sim dos problemas
específicos do trabalhador no seu local de trabalho e moradia.
Sabendo que a Situação Revolucionária é fruto
de um processo histórico, não podemos cometer o erro de colocar “o carro na
frente dos bois”. Não podemos ignorar o grau de experiência e consciência do
proletariado de um país dentro de uma conjuntura histórica. Não podemos cometer
o contra-senso de propor algo que não podemos realizar no curto prazo.
Por isso, o programa da organização política revolucionária,
o programa revolucionário, não é a base da formação do
movimento de massas. Este programa é uma aspiração que deve ser sempre colocada
em pauta pela minoria ativa e seus militantes. As organizações de massa têm de
ter um programa específico, um Programa Reivindicativo. Programa adequado ao
grau de organização, de experiência e consciência do proletariado.
Fique claro, entretanto, que o programa
revolucionário não pode ser a base de mobilização e
critério de recrutamento do movimento de massas; mas é desde o início a base de
recrutamento e mobilização da organização política revolucionária.
O Programa Revolucionário visa dar soluções
permanentes aos maiores e mais gerais problemas do povo. Este programa só será
realizado por meio do uso da força revolucionária. Esta só e possível através
de um processo histórico de luta e organização.
Este processo gera uma situação de dualidade
de poder: as organizações de classe do proletariado contra as organizações de
classe da burguesia. A Insurreição Popular provoca a ruptura da ordem. Sua
vitória garante a aplicação do programa. A dualidade de poder é resolvida pela
luta de classes. Consolida-se o Poder Popular, morre o Poder Burguês e Estatal.
Mas além dos problemas gerais e duradouros do
proletariado, é preciso reconhecer que existem problemas imediatos que exigem
solução. Longe de ser uma complicação, estes problemas são a
chave da vitória da política revolucionária. Já que os problemas gerais
capitalismo só existem na diversidade concreta das situações reais. É na
disputa pelo salário, pelo emprego e etc, que se coloca em questão, de forma
concreta, a exploração e a dominação capitalista.
2 - O Programa Reivindicativo e a formação da Situação Revolucionária.
Como afirmamos, nem todas as demandas
populares podem e devem esperar uma situação revolucionária vitoriosa. O povo
precisa de resultados imediatos, tanto por uma questão de necessidade material
quanto política.
A fome de todo o povo se manifesta na fome de
um desempregado concreto. É claro, que isto do nosso ponto de vista
teórico-revolucionário. Do ponto de vista de quem passa fome, não é
necessariamente assim.
Mas organização política revolucionária
anarquista precisa ter orientações que possam dar resposta ao problema, por
exemplo, da fome, de indivíduos e grupos concretos. Pois só assim se ataca a
fome em geral como produto do sistema capitalista.
O Programa Reivindicativo se apresenta assim
como um conjunto de orientações para a luta e organizações de massa.
Diferentemente do Programa Revolucionário, que ataca fundamentalmente as causas
gerais e secundariamente as manifestações específicas, o Programa
Reivindicativo faz o caminho inverso; ataca as manifestações específicas dos
problemas causados em termos gerais pelo capitalismo.
Desta forma o Programa Reivindicativo
corresponde aos limites impostos por uma Situação Não-Revolucionária. E se
relaciona aos problemas do cotidiano de um povo. Ele se coloca como realizável
dentro dos limites impostos pela ordem capitalista. Ou seja, suas reivindicações
não exigem uma situação revolucionária, uma mudança global da sociedade.
O Programa Reivindicativo não supõe também uma
correlação de forças globalmente favorável ao proletariado para ser
implementado. Ele depende somente das condições existentes em cada local
concreto. São reivindicações que podem ser alcançadas parcialmente (como por
uma greve de determinada categoria para determinada categoria de
trabalhadores). O que importa é a superioridade local e contextual em forças de
cada grupo concreto em relação a seus inimigos.
O programa reivindicativo depende do grau de
força de cada categoria ou ramo de trabalhadores. A Organização produz a Luta,
e a Luta impulsiona a Organização. Quanto mais os trabalhadores se organizam
para reivindicar, mais poder os trabalhadores tem. Podemos dizer que
Organização é Poder.
Por exemplo, é sabido que no final nos anos 90, no Brasil, as montadoras de automóveis
retiraram unidades de produção de São Paulo (da região do ABC), transferindo-as
para o Nordeste e Sul. Isto para fugir da força dos sindicatos operários.
Assim, mesmo sendo realizável dentro do
capitalismo num certo sentido, o programa reivindicativo joga um papel
importante na formação de situações revolucionárias. A organização e a luta do
proletariado tende a gerar dualidades locais de poder. Esta dualidade
localizada serve de base de apoio para a expansão do poder proletário, desde
que se expanda a solidariedade e organização classista.
É exatamente por isso que o próprio programa reivindicativo
é um dos fatores (além de condições objetivas, como guerras, crises e etc), que
ajudam na formação de uma situação revolucionária. É da multiplicação da
dualidade local de poder nas diversas partes de uma sociedade, resultado da
dinâmica da luta de classes, que se torna possível à formação de uma dualidade
de poder no país, opondo burguesia e proletariado.
Na Rússia de 1917 foi exatamente isto que
aconteceu. Os soviets foram se formando na ocasião do
levante de fevereiro que derrubou o Czar Nicolau II. Três grandes
reivindicações populares se colocavam então: 1) Paz, já que a guerra com a
Alemanha impunha muitas mortes ao exército, que se encontrava convulsionado e
enfrentado deserções em massa; 2) Pão, já que os comerciantes e contrabandistas
escondiam alimentos e víveres para lucrar com a especulação, provocando a fome
nas cidades; 3) Terra, já que na Rússia existiam 140 milhões de pessoas vivendo
no campo e 30 mil proprietários rurais possuíam 70 milhões de deciatinas, ou seja 2000 em média; e 50 milhões de
camponeses dispunham igualmente de 70 milhões de deciatinas,
ou seja, 1, 4 deciatinas em média.
Estas reivindicações concretas foram à base da
mobilização revolucionária do proletariado. O Movimento popular primeiramente
acreditou na aliança do POSDR (Menchevique) com o
Partido Socialista Revolucionário e os Kadetes,
através do Governo Provisório, formado graças à revolução política de
fevereiro.
No entanto, entre fevereiro e julho, depois da
subida de Kerenski ao governo, começou a ficar claro
que o Governo Provisório não atenderia as reivindicações populares. O Governo
não retirou a Rússia da Guerra. A especulação e a fome continuavam. Os
camponeses continuavam sem terra. Os soviets
começavam a ser perseguidos. Os Mencheviques
defendiam sua extinção. Eles impediam a convocação de outro congresso pan-russo dos soviets.
A Insurreição de Petrogrado,
organizada em parte pelo partido POSDR-Bolchevique,
se deu exatamente para atender a estas reivindicações concretas e materiais. A
questão é que a própria experiência da luta de classes fez com que houvesse um
salto qualitativo, do reivindicativo para o ideológico.
O que quer dizer que o povo passou a
reivindicar porque precisava de Paz. Pão e Terra, mas também porque tinham
valores e aspirações antagônicas ao do regime e/ou
sistema político e econômico. John Reed, jornalista
americano que presenciou os momentos mais importantes da revolução, conta que
na noite em que se votou a insurreição:
“Mas o comitê central do partido comunista
estudava a insurreição. Passou a noite do dia 23 reunido. Estavam presentes
todos os intelectuais do partido, os dirigentes e os delegados operários e da
guarnição de Petrogrado. Entre os intelectuais só
Lênin e Trotski eram pela Insurreição. Os próprios militares manifestaram-se
contra. Passou-se a votação. Os Partidários da Insurreição ficaram em minoria.
Levantou-se então, um trabalhador, de aspecto rude, terrivelmente
indignado, furibundo: - Falo em nome dos proletários de Petrogrado
– disse brutalmente. Somos pela insurreição. Vocês façam o que bem entenderem.
Mas eu os previno: se vocês deixarem que os soviets
sejam destruídos, vocês morrerão para nós. Alguns soldados os apoiaram.A questão foi novamente posta em votação e venceu.” (in “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, cap. 2).
Foi isto que aconteceu na Rússia. O povo foi
aprendendo que o Governo Provisório não atenderia suas reivindicações, e que
somente os soviets no poder, o povo no poder, poderia
atender estas reivindicações. O povo entendeu que suas reivindicações imediatas
são indissociáveis da questão do poder, e que para resolver definitivamente as
primeiras, tem de resolver a segunda.
O povo amadureceu sua consciência
revolucionária através da experiência revolucionária. A defesa da sua
organização – os soviets – passou a ser o
fundamental.
Mas o programa reivindicativo não é
substituído pelo programa revolucionário, eles devem ser fundidos na situação
revolucionária, esta é a tarefa da organização política revolucionária. Mostrar
a interconexão da reivindicação imediata com os problemas históricos. É quando
fica claro para o povo que suas reivindicações concretas só podem ser real e completamente atendidas com a resolução da Questão do Poder,
ou seja, pelo programa revolucionário, que as massas são ganhas para a
revolução.
O programa reivindicativo ajuda assim a
explicitar as contradições entre burguesia e proletariado e a formar a própria
situação revolucionária, já que fornece bases para organização e mobilização do
proletariado, ajudando na criação de uma situação em que o antagonismo de
interesses é irreconciliável. Entre o programa reivindicativo e o programa
revolucionário existe uma relação de continuidade.
Assim, a interdependência objetiva do programa
reivindicativo com o programa revolucionário fica provada pela análise
histórica. Se o programa reivindicativo tem a limitação de se circunscrever ao
possível, as conquistas parciais dentro da sociedade capitalista, é a
mobilização em torno dele a única capaz de gerar a força coletiva necessária à destruição
do Estado burguês.
Por outro lado, se o programa revolucionário
tem a desvantagem de não ser realizável fora de uma situação revolucionária, de
exigir um grau de experiência e consciência política muito elevado, ao ponto de parecer irrealizável as grandes massas na maior
parte dos momentos históricos, somente a existência dele garante a verdadeira
ruptura revolucionária. Pois é o programa revolucionário que dá resposta ao
problema do poder. E quem não responde esta questão ou é neutralizado pelos
acontecimentos ou levado ao campo do reformismo e da reação, como aconteceu com
a FAI/CNT na Espanha.
3– Orientações para a Luta
Popular: o Programa Reivindicativo
O Programa Reivindicativo que aqui
apresentamos consiste num conjunto de orientações para as organizações e lutas
de massas. Estes pontos são formulados em termos gerais para os problemas da
realidade do Brasil. No entanto eles podem, em certo grau, se parecer com
problemas dos países latino-americanos e mesmo africanos e asiáticos, e mesmo,
com os de áreas pobres da Europa e EUA. As soluções que postula podem ser, em
certo grau, compartilhadas.
É que as reivindicações aqui contidas
correspondem não a etapas mas a situações que podem se manifestar de diferentes
formas dentro de um mesmo país e nos muitos países.
Devemos entender que este programa de
reivindicações procura ter uma certa durabilidade. Ele não aponta pontos muito
específicos, exatamente para poder abranger uma realidade que se reproduz no
curto e médio prazo.
Lembremos que existem problemas estruturais do
sistema capitalista. Estes problemas estruturais se combinam com as
características históricas e geográficas específicas de cada sociedade. Sabemos
que o Desemprego é Estrutural no capitalismo. Mas se este desemprego abrange
50% ou 10 % da população depende da situação histórica. E esta diferença de
situação faz toda “diferença”.
Por isso é fundamental compreender os
problemas estruturais do capitalismo dentro da conjuntura. Entender que os
principais problemas do Brasil no início do século XXI são o produto de um
longo processo histórico que levou a concentração de terras, da renda, a
concentração urbana desordenada, ao aumento da violência e autoritarismo.
As grandes Questões do País nosso país, o
Brasil (Questão Político-Econômica, Questão Urbana,
Questão Agrária e etc) só podem ser resolvidas através da revolução, já
afirmamos. Mas suas manifestações locais e concretas devem ser combatidas pela
organização e luta classista.
É para dar resposta a estas manifestações
concretas, múltiplas e parciais dos problemas gerais do capitalismo, que
formulamos nosso programa reivindicativo. È sobre ele que se deve pautar a luta
política de massas realizada pela União Anarquista, pois reúne as
características exigidas pelo método materialista de mobilização do
proletariado. Ou seja, não coloca questões políticas, ideológicas e etc, como
critério para recrutamento adesão de novos membros, somente exige a condição
proletária e a disposição para a solidariedade e luta por reivindicações
concretas.
A história econômica e social contemporânea
mostra a regularidade de certos fatos. O desenvolvimento tecnológico tem levado
ao desemprego em massa. Não só trabalhadores perdem o emprego, como existem
milhares de pessoas de novas gerações que sequer conseguem entrar no mundo do
trabalho.
Paralelamente, as economias capitalistas,
submetidas ao regime da bancocracia e da especulação,
produzem nos momentos de crise o que nas últimas décadas vem sendo chamado de
inflação (que assolou o Brasil e a América Latina nos anos 80 do século XX).A
inflação na prática significa o sacrifício dos trabalhadores e desempregados,
cada vez mais empobrecidos, em favor dos capitalistas, que preservam e
freqüentemente aumentam seu lucro mesmo nas crises.
Por isso, devemos opor a sociedade do
desemprego e da inflação, que manifesta de forma mais ou menos violenta em cada
país e conjuntura, e esmaga o direito dos
trabalhadores e do povo, reivindicações que possam ser um contrapeso a estes
fenômenos. É por isso que uma bandeira reivindicada deve ser o Direito ao
Trabalho.
Esta bandeira deve ser
defendida através de duas grandes medidas: 1ª) Indexação dos Salários; 2ª) Indexação Social da Jornada de
Trabalho. A indexação dos salários pelo nível de inflação do país visa impedir
que os trabalhadores paguem a conta das flutuações da economia capitalista.
Este mecanismo garante a reposição contínua dos salários e evita o
empobrecimento geral dos trabalhadores.
A Indexação Social da jornada de trabalho visa combater o desemprego em cada
categoria profissional e ramo da economia. Isto significa que a jornada de
trabalho de cada categoria deve ser fixada em cima da oferta real de mão de
obra, de forma a abranger todos os trabalhadores do ramo. Esta medida garante a
incorporação dos demitidos e jovens desempregados. É claro que a redução da
jornada de trabalho exige a manutenção dos salários, e não sua redução
proporcional.
Outra bandeira fundamental, visto que o Brasil
é um país que tem uma grande massa de população rural, é o Direito a Terra.
Mais de 20 milhões de camponeses no Brasil, e sua grande maioria, vive
praticamente na miséria, com pouca terra para produzir e sem dinheiro, porque
sem trabalho. Duas medidas reivindicativas devem ser
defendidas: 1ª) Desapropriação e Distribuição de Terras; 2º) Subsídios
para os Trabalhadores Rurais.
A população pobre se concentra em grande parte
nas capitais e regiões metropolitanas do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro,
Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte). O aumento da inflação e do desemprego
agrava a situação de miséria do proletariado das cidades. Neste sentido, o
acesso a dois Direitos deve ser defendido como bandeiras: o Direito a Moradia e
o Direito a Saúde e Educação.
Três medidas devem ser
defendidas para defesa do Direito a Moradia: 1)Indexação dos alugueis (valor
máximo proporcional à renda dos inquilinos); 2ª) Desapropriação de Imóveis abandonados para assentamento de
famílias; 3ª) Subsídios para a construção de habitações populares.
O acesso à saúde e educação têm sido
comprometido nos últimos anos no Brasil devido a onda
de privatização. O desmonte do sistema público e seu sucateamento massacram
ainda mais a população. Torna ainda mais insuficientes os salários. E
novamente, é o proletariado marginal, periférico em relação
às instituições econômicas capitalistas, que mais sofre.
Neste sentido, é preciso ter
medidas para combater esta situação e garantir o Direito a Saúde e Educação:
1ª) Duplicação proporcional do sistema público
(em relação ao privado); 2ª) Resgate do Investimento Público (profissionais
formados em instituições públicas terão obrigatoriamente de trabalhar
determinado período em instituições públicas).
O proletariado marginal, sem renda regular, é
o que fica mais sujeito a exclusão do acesso a educação,
saúde e moradia. Isto significa que quanto mais pauperizada
é a fração proletária, mais importante se tornam estes direitos. A luta por
estes direitos deve ser colocada em pé de igualdade com as reivindicações do
proletariado industrial e o proletariado do comércio e serviços.O
que significa que a fábrica não é o único espaço importante de mobilização do
proletariado.
A Questão da Violência no Brasil tem diversas
manifestações concretas. Os números de morte denunciam a existência de uma
situação de guerra civil nas principais metrópoles brasileiras. Segundo os
dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Em 1980, o
total de homicídios no Brasil foi de 13.910. Passou para 31.989 em 1990 e
chegou em 45.343 em 2000.
No total, 598.367 pessoas foram vítimas de
homicídios entre 1980 e 2000. No ano de 1999, o MNDH (Movimento Nacional de
Direitos Humanos) estima terem ocorrido 46 mil homicídios no Brasil. Cerca de
8,25% foram de responsabilidade do aparato policial e grupos de extermínio. Em
termos raciais (nos casos de homicídios cometidos por policiais e grupos de
extermínio) os "não brancos" chegam a compor 84,96% das vítimas.
A violência se exerce nas favelas e bairros
pobres, atingindo fundamentalmente os trabalhadores. A questão da violência se
entrelaça com a do racismo. A violência no Brasil se relaciona ao processo
histórico, que vem desde a escravidão passando pelas duas ditaduras do século
XX (Ditadura Varga, 1937-1945; e a
Ditadura Militar, 1964-1989).
Os dados sobre a violência contra as mulheres
são alarmantes: a cada 15 segundos, uma mulher é espancada no Brasil. Dos casos
de agressão, 70%. No Brasil temos uma população de cerca de 86 milhões de
mulheres, no entanto, essas trabalhadoras recebem 69% dos salários que normalmente
são pagos aos homens e apenas 17% delas têm carteira de trabalho assinada,
mesmo sendo chefes de família de 32% dos lares brasileiros.
A violência da mulher se entrelaça com a
desigualdade econômica e com o machismo. O fato de as mulheres receberem menores
salários faz com que tenham menos condições de levar uma vida
autônoma, escapando assim a violência doméstica. Além disso, o
ordenamento jurídico e policial, patriarcal e machista, favorece a
desigualdade.
Neste sentido, defender a bandeira dos Direitos
Civis é fundamental. Principalmente quando lembramos que os pobres são a grande
maioria da nossa população, e dentre eles, as mulheres e negros predominam, a
importância destas reivindicações se confirma.
Devemos ter como medidas
reivindicativas: 1ª) Liberdade de Reunião,
Palavra, Organização nas favelas, bairros pobres de periferia e etc.; 2ª)
Respeito às Garantias de Inviolabilidade da Pessoa e Domicilio; 3ª) Igualdade
de salários, oportunidades e direitos para negros, mulheres e índios.
Todas estas reivindicações só são realizáveis
como consequência direta da mobilização popular. O
processo de luta e organização, no entanto deve obedecer a critérios
revolucionários. Estes critérios se resumem na idéia de Controle Proletário
sobre os espaços trabalho, moradia, estudo e instituições públicas.
As conspirações burguesas (corrupção, golpes,
e operações legais e ilegais que prejudicam o povo) só são realizadas por
ausência de uma oposição vigilante. Neste sentido, o controle se apresenta como
expressão local do poder popular, como manifestação pontual da força coletiva
do proletariado.
As medidas concretas para um
efetivo controle, são 1ª) o controle das informações,
2ª) controle das ações; 3ª) controle de espaços sociais e geográficos. Todas as
contas das empresas e do estado devem ser abertas ao público; todas as ações,
tratados e acordos; todas as ações econômicas e políticas devem sofrer o peso
do juízo popular, nenhuma obra pública e instituição
prestadora de serviço deve agir a revelia da população.
A idéia de controle operário,
exercido no e sobre o universo da fábrica, da
produção, materializado nos comitês de fábrica (organismo de gestão econômica
das empresas) deve ser alargada. A idéia de Controle Proletário remete ao
controle exercido por todas frações econômicas proletárias sobre fabricas,
lojas e terras e etc..
O Controle Proletário é o controle do operário
sobre a fábrica, do bancário sobre as atividades do banco, do funcionário do
comércio sobre a loja. Mas os serviços públicos também precisam ser controlados
pelos usuários, no caso brasileiro, sua grande maioria, o proletariado
marginal. As escolas, hospitais, universidades devem sofrer esta oposição e
controle permanente.
Mas, entretanto, precisamos distinguir o que chamamos de Controle Proletário da
Co-gestão burguesa e reformista. No Brasil temos diversos exemplos, como o
orçamento participativo, no âmbito público, e no espaço da fábrica, as diversas
formas de participação nos lucros e gerencia de empresas.
O controle proletário é radicalmente contra
essas formas de co-gestão. O controle proletário cria uma dualidade de poder,
ele aparece através da oposição concreta (de reivindicações, exigências), na
luta política. A co-gestão é um espaço de colaboração, não de enfrentamento.
Podemos dizer que são formas de controle sobre o proletariado, não do
proletariado sobre alguma coisa.
O controle proletário é uma das principais bandeiras de reivindicação. As
organizações de massas devem sempre ter inscrito junto com suas exigências,
suas reivindicações concretas, a exigência de garantias da gestão de seu espaço
de trabalho e vida. Desta forma, o controle se apresenta como sinônimo de
autonomia, auto-governo. As fabricas ocupadas e
cooperativas, projetos, e todas as organizações criadas pelos
trabalhadores, devem ser geridas sempre neste espírito, do controle
autônomo, coletivo e democrático.
4– Orientações para a
Situação Revolucionária: o Programa Revolucionário
O Programa Revolucionário é uma das bases de
sustentação e recrutamento da organização política revolucionária
anarquista. Programa Reivindicativo é
ponto de mobilização do proletariado e de recrutamento nas organizações de
massa criadas e/ou impulsionadas pela União
Anarquista (o Braço de Massas). Ou seja, os programas correspondem à dialética
da organização revolucionária com a organização de massas.
Diante de uma situação revolucionária, tal
programa se apresentará como eixo de estruturação do movimento revolucionário,
que o estimulará e conduzirá a linha de ação correta. Nosso programa então,
realizável numa situação revolucionária, no entanto é preparado desde hoje pelo
programa reivindicativo.
Por isso, o Programa Revolucionário se coloca
desde o princípio como exigência; ele orienta e ajuda as massas na sua luta
pela libertação. Com orientações vagas e genéricas um movimento degenera em
reformismo idealista. E as ideologias políticas se desmoralizam.
Por isso, a União Popular Anarquista adotou um
programa de 40 pontos, que apresentam medidas práticas para combater e resolver
as questões estruturais do Brasil.
Para estabelecer tais medidas a União discutiu
e identificou um conjunto de Questões centrais que afetam a sociedade
brasileira: 1) Questão Político-Econômica: 2) Questão
da Dependência Externa; 3) Questão Agrária; 4) Questão Urbana; 5) Questão da
Desigualdade Regional; 6) Questão da Violência; 7) Questão Étnico-Racial; 8)
Questão de Gênero; 9) Questão Ecológica.
A Questão Político-Econômica
e sua resolução é pré-condição para as outras, que são em grande medida geradas ou reforçadas devido ao problema
político-econômico. As manifestações mais cruéis deste problema são: 1) a
miséria, a fome e a opressão; 2) a desigualdade de renda; 3) o desemprego.
Estes problemas específicos são resultados necessários do capitalismo; por
isso, para acabar com eles, é preciso atacar a organização político-econômica
capitalista.
A Questão da Dependência Externa se vincula
diretamente a organização capitalista. Os problemas econômicos são agravados
por ele. Suas manifestações são: 1) a transferência de renda (capital) do
Brasil para os países imperialistas e organismos internacionais; 2) ingerência
política e militar nos assuntos do país; 3) imposição de limites as atividades econômicas e científicas.
A eliminação do sistema capitalista implica
uma desarticulação quase total dos mecanismos da Dependência Externa. Mas falta
ainda eliminar determinados dispositivos que agem no sentido de favorecer o
imperialismo. Eliminando os fatores restantes da Dependência, estamos consolidando
a liquidação do capitalismo.
A Questão Agrária e A Questão Urbana também se
relacionam diretamente e em grande parte com a questão político-econômica,
mas não se reduzem a ela. Elas dizem respeitos as
condições gerais de vida (mortalidade, moradia, acesso a serviços básicos como
saúde e educação, e etc.), e é preciso enfrenta-las a
fim de corrigir, dentre outras questões, a organização espacial e geográfica
oriunda da exploração capitalista e, neste sentido, da formação histórica do
país.
A Questão da Desigualdade Regional é uma
conseqüência também da história do capitalismo no Brasil. A concentração do
trabalho, da educação e de todos os recursos em duas regiões do país (Sul/
Sudeste) segue a lógica de concentração de capital nas mãos da burguesia. Ele
se manifesta: 1) na concentração regional da renda; 2) na concentração
populacional; 3) nos grandes índices de miséria fora da região concentradora.
Para desconcentrar o poder político, e não
permitir a geração de “elites proletárias”, é preciso então desconcentrar todas
as atividades e recursos econômicos, permitindo assim a maior igualdade
econômica, política e social.
A Questão da Violência no Brasil, apesar de
articulada com a organização política-econômica, é engendrado por uma lógica
política estrutural específica do Brasil e por uma estratégia repressiva bem
contemporânea.
Suas manifestações são: 1) a violência da
repressão social, movida pelo aparelho repressivo de Estado, que mata milhares
de pessoas por ano, impunemente; 2) a violência da repressão política, que se
combina com a primeira, com o extermínio das manifestações políticas populares;
3) a violência difusa do povo contra o povo.
Resolver o problema da violência é resolver
uma das piores mazelas de nossa sociedade; é salvar a
vida de milhares de pessoas, vítimas de uma sociedade corrupta e autoritária.
A Questão Ètnico-Racial
é histórica na sociedade brasileira. Ele antecede a formação do capitalismo,
mas marcou a própria formação do capitalismo no país. O início da industrialização
excluiu os negros, incentivou o “branqueamento” através do estímulo a migração
(de europeus).
Hoje a influência do racismo na sociedade
brasileira se manifesta: 1) na supremacia branca, já que a burguesia
brasileira, a classe dominante, é majoritariamente branca; 2) na miséria da
maioria da população negra e indígena; 3) nos maiores índices de assassinatos
de negros pelas forças repressivas; 4) na difusão de preconceitos racistas.
A destruição do capitalismo através da
revolução social anarquista implica a destruição da supremacia branca, já que a
burguesia é liquidada; as soluções para os problemas
anteriores (violência, desigualdade econômica) elimina necessariamente
os três primeiros problemas. Mas para garantir efetivamente a supressão do
racismo é preciso medidas específicas.
É como diz Proudhon:
“O principio federativo aparece aqui intimamente relacionado com o da igualdade
social das raças e do equilíbrio das fortunas. O problema político, o econômico
e o das raças constituem um mesmo e único problema, que se trata de resolver
pela mesma teoria e pela mesma jurisprudência.”(Proudhon, Do Princípio Federativo, p.127).
A Questão de Gênero também imbricada com a
organização capitalista, já que o capitalismo reproduz uma estrutura
patriarcal. No Brasil isto se manifesta nos seguintes problemas; 1) o
empresariado é majoritariamente masculino, enquanto grande
parte do proletariado é composto de mulheres; 2) as mulheres recebem
menores salários; 3) violência doméstica contra a mulher; 4) os preconceitos contra
a mulher.
O problema da igualdade
política e econômica resolvidos pela revolução social, precisam ser
consolidados por medidas que impeçam a geração de
novas desigualdades e a reprodução de preconceitos e práticas inaceitáveis.
Neste sentido, o solucionamento do problema da
desigualdade de gênero é um complemento necessário a
consolidação da revolução social.
O último tema, A Questão Ecológica poderia ser
também o primeiro. Ele se relaciona diretamente a
reprodução da própria sociedade. O sistema socialista tem ser ecologicamente
viável. A Questão Ecológica se manifesta: 1) na depredação ambiental, na
matança de animais e destruição da flora; 2) no esgotamento de recursos
necessários a sobrevivência da sociedade; 3) na deterioração das condições gerais
de vida.
A eliminação do capitalismo muda a lógica da
atividade econômica, diminuindo a depredação ambiental. Mas se torna necessário
ter medidas que façam com que estes três problemas
sejam efetivamente resolvidos. Disso depende a própria viabilidade da sociedade
socialista.
O II Congresso, tratando com estes problemas
da sociedade brasileira, que estão dados na atual conjuntura e que tendem a se
aprofundar nos próximos anos, definiu um conjunto de medidas programáticas a
serem defendidas pela União Anarquista, como política a ser empreendida após a
ruptura revolucionária:
Medidas do Programa
A Questão Político-Econômica:
1) supressão do poderes legislativo, executivo e judiciário do Estado burguês;
2) instauração do Congresso do Povo como organismo político máximo da Nação;
3) instituir o trabalho como base de todos os direitos, civis, políticos e
sociais
4) instituir o mandato imperativo e a revogabilidade para todos os cargos do
sistema político e econômico;
5) Instituir a total liberdade de imprensa e propaganda, associação e reunião;
6) Expropriação de toda propriedade privada e estatal seguida de sua
Coletivização
7) Igualdade de todos os salários por hora trabalhada
8) Redução da jornada de trabalho para que todos trabalhem
A Questão da Dependência Externa
9) Liquidação dos acordos comerciais, financeiros e políticos (divida externa, merco sul, ALCA etc...)
10) Liquidação dos organismos militares e diplomáticos estrangeiros em território
nacional
11) Nacionalização e coletivização das empresas estrangeiras, o que significa passa-las para o controle da classe trabalhadora
brasileira.
A Questão Agrária:
12) Distribuição de terra para os que nela trabalham e para o povo.
13) Incentivo a exploração coletiva da terra com
respeito à posse individual e familiar
14) Incentivo à migração urbano-rural;
15) Capacitação profissional e técnica para as atividades agropecuárias;
A Questão Urbana
16) Desconcentração populacional das metrópoles com ênfase na ruralização e na migração inter e intra-regional;
17) Desconcentração territorial das instituições de interesse público bem como
sua universalização
18) Estabelecer a posse dos inquilinos com o fim dos aluguéis;
19) Promoção de um massivo programa de construção de casas populares, visando
garantir o acesso à moradia digna para todos.
20) Transformar determinadas propriedades burguesas nas cidades (como hotéis de
luxo, mansões, Shoppings, condomínios) em espaços de interesse público e uso
coletivo.
A Questão da Desigualdade Regional
21) Desconcentração regional das atividades econômicas industriais e
agrícolas (Redistribuir as atividades do sul-sudeste pelas regiões norte,
nordeste e centro oeste)
22) Promover a distribuição regional das instituições do interesse público
como: saúde, educação, “previdência” etc...
23) Desconcentração das atividades estratégicas como: geração de energia,
telecomunicação etc;
24) Planificar a economia de acordo as potencialidades regionais
A Questão da Violência
25) Liquidação das forças armadas e de segurança do estado
26) Distribuição de armas para o povo e a promoção do treinamento militar
27) Organização de milícias populares
28) Consolidação das forças armadas revolucionárias;
29) Promoção do revezamento entre as atividades de trabalho e militares
(treinamento militar, serviço nas milícias ou forças armadas revolucionárias).
30) Liquidação das atividades e organizações criminosas e para militares
A Questão Étnico-Racial
31) Combate a todo tipo de manifestação do racismo e desigualdade racial no
campo político e cultural
32) Valorização da população afro descendente e indígena bem como do seu
patrimônio histórico cultural
33) Garantir o respeito aos direitos dos povos indígenas e das comunidades
remanescentes de quilombo e a demarcação imediata de suas terras
A Questão de Gênero
34) Combate a todo tipo de manifestação do machismo e sexismo
e a desigualdade de gênero no campo político e cultural;
35) Reprimir com toda força necessária a violência contra a mulher
36) Eliminar a exploração sexual e combater à prostituição
A Questão Ecológica
37) Promoção da planificação da economia com base no equilíbrio ecológico
(utilização e renovação dos recursos naturais)
38) Promoção da educação ambiental para todos
39) Promoção da substituição do uso de recursos não renováveis por recursos
renováveis, com base na pesquisa científica e tecnológica;
40) Promoção do desenvolvimento tecnológico de forma ecologicamente responsável
5 – A Árvore e a Semente: o Papel e Interdependência dos Programas
Podemos dizer que o Programa Reivindicativo é
fundamental para iniciar e criar um movimento de massas e também faze-lo crescer. Mas ele também ajuda a criar a situação
revolucionária, já que mobiliza parcelas importantes do proletariado.
No entanto, o Programa Reivindicativo, tomado em si
mesmo, pode simplesmente degenerar em reformismo. É importante ter um Programa
revolucionário que vincule, mostre o caminho, que conduza o povo na luta pelo
socialismo. Que permita que ele não se iluda pela solução reformista e/ou burguesa. O Programa Revolucionário está para o
Programa Reivindicativo como a árvore está para semente.
Sem a semente, não existe árvore. Mas nada
garante que a semente por si só, sozinha, lançada ao solo vingue. É o trabalho
contínuo e a vigilância do agricultor, zelador afetuoso, que garante que a
árvore se desenvolva, vingue e dê seus frutos. Sem este trabalho a semente pode
morrer ou ser arrancada a qualquer momento. E se a semente não se torna árvore,
ela não cumpre seu ciclo completamente.
O Programa Reivindicativo é o germe, é a
semente. O programa revolucionário é a árvore, já definitivamente desenvolvida.
O agricultor que traz par si a responsabilidade de lançar as sementes e cuidar
do solo, e da plantação, é a organização política revolucionária. È o trabalho
do agricultor, combinado com as condições objetivas (a qualidade do solo, o
clima, e a sorte) que fazem com que seja possível que a semente brote e
floresça.
Anarquismo é Luta !!!!
Ir ao Povo -lutar para organizar, organizar para lutar !!!
União Popular Anarquista - UNIPA