As
Reformas do Governo Lula e as Tarefas do Proletariado
Contribuição ao debate
sobre a Coordenação Nacional das Lutas
Comunicado
nº 06 -Rio de Janeiro, Março de 2005- UNIPA/União
Popular Anarquista.
“Aos
militantes do movimento sindical, estudantil, operário, e camponês;
A juventude, as
mulheres trabalhadoras, ao povo oprimido, negro e indígena;
Aos sinceros
lutadores do povo, em partidos, sindicatos, cooperativas e demais entidades;
Ao bravo povo
brasileiro de forma geral”
Introdução
Este texto analisa e interpreta
teoricamente o papel histórico que o Governo Lula/PT
está cumprindo. Na atual conjuntura, já é possível fazer uma avaliação mais
densa deste papel histórico do PT e Lula em relação à organização da sociedade
capitalista e a luta de classes no Brasil. O momento da degeneração das
organizações da classe trabalhadora, e também de luta pela reconstrução de
organismos independentes, é o melhor momento para discutir os rumos da luta de
massas. Por isso, este momento é tão decisivo. Principalmente porque
alternativas concretas estão se colocando neste momento, através da organização
do CONLUTAS e CONLUTE. Neste sentido é importante também analisarmos e nos
posicionarmos perante este processo, ou seja, perante a mobilização para a
reorganização do movimento popular e sindical em geral, e em particular, para a
construção do CONLUTAS e CONLUTE.
O ano de 2004 se
encerrou, e o Governo Lula/PT superou os dois
primeiros anos de mandato, e também a primeira “crise do governismo”
passada no período 2003-2004[1].
Neste momento podemos dizer que um ciclo histórico está se encerrando, e o
debate sobre os destinos da sociedade brasileira se faz cada dia mais urgente.
Falamos do encerramento
do ciclo caracterizado pelo predomínio da via reformista petista no movimento
operário e popular brasileiro. Este ciclo teve início no final dos anos 70, com
o ressurgimento da oposição de massas a ditadura, e com a formação do PT e da CUT
(Central Única dos Trabalhadores) nos anos 80. Neste momento uma grande parte
do movimento sindical e popular “optou” pela via reformista. Isto criou uma
determinada composição do campo da luta de classes; atores nasceram (Partidos e
Tendências, Sindicatos Urbanos e Rurais, e Organizações diversas) uns em
oposição aos outros, para representar os interesses das diferentes frações
de classe; e estas lutas e contradições entre classes e partidos criaram
uma dinâmica determinada na sociedade brasileira.
O ciclo histórico se encerra
no sentido que os atores que compunham o campo da luta de classes, sua correlação de forças e dinâmica, mudaram. Ao alcançar
seu objetivo estratégico, a conquista do Governo
Central em 2002, o PT imediatamente se transformou e mudou seu papel
histórico. Deixou de ser um Partido Reformista de oposição, que procura
representar dentro dos marcos do reformismo, os interesses de uma parte do
movimento sindical e popular, para se transformar num partido abertamente conservador
e contra-revolucionário. Isto significa que a burguesia saiu
vitoriosa, provisoriamente, deste ciclo de lutas, e que a própria dinâmica, e
os atores que compunham o campo, irão mudar.
O fim deste ciclo
histórico revela exatamente o destino final da via reformista. O ultra-realismo
revestido de um pseudo-pragmatismo estimulou a renuncia a “utopia” de uma
revolução e ao contentamento com o “sindicalismo de resultados” no governo. As
palavras de José Genuíno, afirmando que “o
PT já havia recusado o postulado da ruptura revolucionária desde 1991, no seu I
Congresso[2]”, mostram
claramente esta opção consciente. O
sindicalismo de resultados e o reformismo do PT estão dando resultados muito
bons... para a burguesia. No ano de 2002, poucos afirmavam que a vitória do PT
nas eleições presidenciais significaria um retrocesso (da organização política
e dos direitos sociais) da classe trabalhadora brasileira. Nós indicamos isso[3].
A “vitória do PT” está
representando uma derrota da classe trabalhadora nesta conjuntura
histórica particular. O “meio” – as reformas políticas feitas através da “via
pacifica”, ou seja, da vitória através das eleições burguesas – suplantou o
“fim” (que seria a diminuição das desigualdades sociais e econômicas), e antes de terminar o mandato uma
das principais preocupações de Lula e do PT é a reeleição presidencial[4].
As reformas, que iriam, de acordo com o discurso petista “melhorar” as
condições de vida da população pobre e trabalhadora, estão favorecendo os
banqueiros, os investidores internacionais e a burguesia brasileira de maneira
geral.
É preciso identificar
exatamente o lugar do Governo Lula em relação à transição político-econômica
pela qual passa a sociedade brasileira, para poder determinar de outro lado às
tarefas de luta do proletariado. Devemos compreender tanto as questões
conjunturais ou imediatas implicadas nas reformas que estão e continuarão sendo
realizadas neste ano de 2005 pelo Governo Lula, quanto seu significado e
efeitos de médio e longo prazo, ou seja, históricos.
Isto
significa que o “caso Lula” no Brasil deve servir como uma lição histórica para
a classe trabalhadora em todo o mundo. A via
reformista conduz a contra-revolução, fato manifesto por
completo quando o reformismo chega ao governo central de um país, como
no Brasil. O caso brasileiro confirma, mais uma vez, uma das principais teses bakuninistas, e revela a validade deste pensamento,
enquanto teoria revolucionária do proletariado, para as lutas de hoje. Mas
trata-se também, a partir daí, de fixar a tática para atuação frente a atual
conjuntura. Analisar a atual conjuntura política e social e fixar orientações práticas
para a luta revolucionária: é isto que faremos a seguir, a partir do método
materialista dialético bakuninista. Interpretar esta
realidade é parte necessária à construção de uma via revolucionária para o movimento de massas.
1 – Garantir a “Transição Pacífica”: a Missão Histórica do
PT.
Para compreender a
sociedade num momento dado de seu desenvolvimento, é preciso conhecer a sua história,
e a história de uma sociedade é necessariamente a historia da luta e da guerra.
A história do Brasil não foge a esta lei sociológica. Para compreender a
conjuntura atual da sociedade brasileira, é preciso conhecer sua história.
Não nos alongaremos
aqui no tema da história do Brasil em geral, mas iremos indicar alguns marcos
importantes na história do século XX. Devemos lembrar que a Republica Democrático-Burguesa é
estabelecida no Brasil por um golpe militar, e o regime perdura entre
1889-1930. O ascenso das lutas operárias iria provocar o aumento das lutas inter-classes, que combinadas com as lutas intra-classe entre a burguesia rural e comercial, de um
lado, e burguesia militar e industrial de outro, iriam precipitar um outro
Golpe de Estado, provocando uma situação de instabilidade permanente neste
período.
O que importa dizer é
que neste período 1889-1930 (chamado de “Primeira República ou Republica
Velha”), ao Regime Político Democrático Burguês correspondia um Regime
Econômico Liberal, com as particularidades de um modelo agrário-exportador, que afetava o
perfil de toda a sociedade, não somente da economia. O Golpe de Estado de 1930,
seguido pela Guerra Civil de 1932, e pelo Golpe de Estado de 1937, que mudou o
Regime Político para uma Ditadura
Burguesa, que perdurou até 1945,
são as batalhas iniciais que criariam as condições para a mudança do regime
econômico. Ou seja, assim como durante a República Velha, ao regime político
correspondia um regime econômico, a construção de um regime econômico intervencionista, com o início do processo de
industrialização, urbanização e substituição de importações, exigiria um regime
político cada vez mais autoritário e um Estado cada vez mais centralizado[5].
O Golpe Militar de
1964 faz parte deste processo, em que o Regime Democrático Burguês foi
sacrificado em prol da estabilização política, para a liquidação do movimento
de massas emergente (de soldados, operários, camponeses e estudantes). À
Ditadura seguiu-se sete anos de luta armada numa guerra civil revolucionária,
derrotada por completo em 1974, com o extermínio da guerrilha do Araguaia. Durante
a vigência do regime político de Ditadura
no Brasil entre 1964 e 1989, se deu a consolidação, auge e crise do regime econômico intervencionista, com um modelo econômico baseado na substituição
de importações, ou seja, na industrialização.
A crise
econômico-social se agravou no Brasil em meados dos anos 1970. A desigualdade
social cresceu durante os dez primeiros anos da ditadura, e a expansão
econômica da industria automobilística criou novas categorias profissionais que
protagonizariam as lutas de massa (os operários da industria automobilística e metalúrgica).
É com este regime político e este regime econômico vigentes, com esta
conjuntura histórica particular na luta de classes, que se iniciaria um novo
ciclo na história política do Brasil.
Da
Ditadura a Democracia Burguesa, do Intervencionismo ao Liberalismo Econômico.
O
atual regime político brasileiro e também o atual regime econômico se
apresentam na propaganda ideológica da burguesia e do reformismo governista do
PT, como a negação do passado, de um regime político e econômico determinado. O
regime político e econômico negado e combatido atualmente são, respectivamente,
a ditadura
política e o intervencionismo
econômico.
Podemos
dizer que o regime econômico da ditadura prosseguiu com o processo de
substituição de importações e industrialização do país, inaugurado pelo
trabalhismo-populista de Getulio Vargas e do Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB). A industrialização e o intervencionismo econômico se combinava com uma
política generosa para com os capitais estrangeiros. Uma conjuntura
internacional favorável, com grande oferta de divisas no mercado internacional,
permitiu que o crescimento econômico fosse feito graças aos empréstimos
internacionais, o que significava crescer a economia com o aprofundamento da dependência
externa.
O desgaste do modelo
viria com as crises econômicas no sistema mundial (especialmente o choque do
petróleo em 1973), que frearam o crescimento e revelaram a fragilidade da
economia. Neste momento, a crise econômica embala o ressurgimento da oposição
de massas e de rua a ditadura. O PT aparece neste momento, como força de catalização das lutas.
As lutas pela
redemocratização do Brasil, de 1980 em diante, seriam orientadas também no
sentido de criticar os efeitos sociais do regime econômico da ditadura
(concentração de renda, terra, aumento da miséria, da favelização),
o regime político sendo identificado com tais problemas sociais. O fim da
ditadura em 1989[6], é marcado pela realização
da primeira eleição presidencial em 25 anos. A disputa foi polarizada entre Fernando
Collor do PRN e Lula do PT.
Podemos
dizer que neste momento o PT cumpriu a primeira parte de sua missão histórica:
1) a contenção e controle político dos movimentos populares surgidos nos anos finais
de luta contra a ditadura, através da canalização das forças do movimento para
a disputa eleitoral na democracia burguesa, evitando que a
luta de classes se desenvolvesse no sentido da formação de uma situação
revolucionária[7].
O PT serviu de canal de condução destes movimentos ao reformismo e ao colaboracionismo, desviando os movimentos da via
revolucionária. O PT ajudou a garantir a transição “pacífica” da ditadura burguesa à democracia burguesa. O PT, que antes
provocava uma certa insegurança na burguesia, deu sua primeira demonstração de
docilidade e disposição inquestionável para o compromisso com o sistema
capitalista e a burguesia, ao garantir a estabilidade política depois da
derrota nas eleições de 1989.
Mas neste processo a
burguesia também mudou. Os Partidos burgueses saídos do sistema bipartidário da
Ditadura (PFL, PSDB e PMDB), passaram a trabalhar no sentido da mudança do
regime econômico brasileiro: em 60 anos, o modelo intervencionista que garantiu
a industrialização e a urbanização, seria questionado pela burguesia, sob
pressões do sistema mundial. Paralelamente, na década de 1990, a grande
bandeira do PT, que antes era a oposição ao regime político, a ditadura, foi automaticamente abandonada,
e a bandeira passou a ser a oposição ao regime econômico. Logo, o PT passou
definitivamente a “jogar” no campo e exclusivamente com as regras da burguesia.
O primeiro Governo da
Nova Republica, Fernando Collor de Melo (1990-1994[8]), inaugura as
reformas neo-liberais, acabando com as barreiras comerciais e favorecendo as importações;
se inicia a campanha de privatização das empresas estatais. A orientação estava
clara: a política agora seria o liberalismo econômico, como novo regime de
acumulação de capital. O PT, então assume como centro de sua estratégia a luta
contra o “neo-liberalismo”, incorporando como “progressista” o repertório
econômico nacional-desenvolvimentista. No terreno econômico, assim como
no político, o debate seria feito exclusivamente de acordo com as idéias e
interesses da burguesia.
Os Governos Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e
1999-2002) iriam continuar o processo de liberalização econômica. Novamente,
Lula e o PT seriam a “oposição” a FHC e ao bloco partidário PSDB/PFL/PMDB.
No entanto, neste momento o processo de transição econômica entra numa outra
fase de desenvolvimento: 1) a privatização se generaliza, atingindo
praticamente todos os setores da economia; 2) se atinge a estabilidade
macroeconômica, com o controle da inflação e substituição da moeda (o cruzeiro
pelo real), terminando com o maior ícone da crise econômica dos anos 1980, a
desvalorização monetária[9].
No entanto, A crise
econômica de 1999 precipitou uma aceleração do processo inflacionário, que combinado
com a evasão de divisas, explicitou a fragilidade da economia brasileira. Os
interesses da burguesia industrial e rural começaram a se chocar com a política
macroeconômica de FHC, que favorecia imensamente a burguesia financeira, no
Brasil e fora dela, as agencias financeiras do imperialismo (FMI, Banco Mundial).
A oposição burguesia financeira X burguesia industrial e rural, criou a ocasião
para uma ampla política de colaboração de classes, que o PT materializaria, já
que os dois Governos de FHC tinham aumentado a miséria no país e criado um
acirramento social muito intenso, entre todas as frações do proletariado e o
Governo[10].
Devemos lembrar que o contexto internacional dava um sério alerta a burguesia
brasileira: a América Latina estava convulsionada: janeiro de 2000, o
presidente do Equador, Mauad, é derrubado por um
levante popular; em Dezembro de 2001, a Argentina é que vive o processo de ascenso da luta de
massas com a derrubada de 3 presidentes.
È neste momento que a
burguesia brasileira, ou pelo menos seus setores de vanguarda, articulam uma
grande manobra estratégica: a aliança com o PT, que seria o seu principal
instrumento na fase final de transição para o regime econômico liberal. O PT cumpriria então a segunda parte de
sua missão histórica: 2) garantir a transição, da maneira mais tranqüila possível,
para o regime econômico liberal,
desarticulando a oposição do movimento popular e sindical, e mais ainda,
garantindo o apoio de amplos setores destes movimentos às reformas políticas e
econômicas necessárias a consolidação do novo regime econômico. O PT abriu mão de suas já reduzidas bandeiras de
reforma econômica nacional-desenvolvimentista em troca do Governo Federal e seus cargos. E mais, em troca deste Governo, passou
a defender como política econômica à política de seus adversários de 10 anos
atrás (PSDB, PFL e PMDB).
As reformas econômicas necessárias à
consolidação do regime liberal poderiam ser feitas por outros Governos (do
PSDB, PFL e PMDB). Mas nenhum faria tais reformas como o PT está fazendo: sem
uma oposição generalizada e forte que abrangesse simultaneamente todo o
território nacional. Somente o PT poderia imobilizar os meios de luta e
resistência da classe trabalhadora paralizando ou
pelo menos retardando suas lutas e organização durante tempo suficiente para
que as reformas fossem realizadas sem um “brasilazo”[11].
As reformas
previdenciária, tributária, sindical, trabalhista e universitária, se
apresentam assim como último estágio da
transição de um regime econômico a outro. O Governo Lula tem como missão
realizá-las e consolidar as bases do novo regime. Neste sentido, as tarefas do
proletariado brasileiro têm um duplo significado, de curto e longo prazo;
defender seus direitos e interesses imediatos, e defender um projeto histórico de
sociedade menos exploradora e desigual.
O
Sistema Mundial: reestruturação econômica e dependência.
A emergência de um novo regime
econômico no Brasil acompanha a dinâmica das relações de produção e conflito
existentes no sistema mundial. O Brasil, como país de capitalismo subordinado e
dependente, está na verdade se ajustando as imposições da economia capitalista
mundial e das novas regras da divisão territorial do trabalho. Devemos ter em
mente então que a tendência ao liberalismo econômico é uma tendência mundial,
que se aplica de forma diferenciada nos paises de acordo com sua posição
(superior ou inferior) na estrutura de poder mundial.
Primeiramente,
devemos dizer que, combinada com a liberalização econômica, estamos observando
uma tendência de retorno ao modelo primário-exportador na economia brasileira,
e também nas economias latino-americanas. Isto significa que as economias estão
se organizando em torno da produção e exportação de produtos agrícolas, o que
implica uma redução do impulso de industrialização.
Isto se deu em
razão da reestruturação produtiva verificada em escala planetária, decorrente
da revolução tecnológica, que levou a uma redefinição da geografia econômica
mundial. A mudança dos regimes econômicos não somente são um
produto da dependência externa, mas são fatores ativos que irão aprofundar
e radicalizar tanto a forma quanto os efeitos desta dependência (no sentido
econômico, político e tecnológico). Para
isso, basta observar que entre 2002 e 2004, o crescimento econômico da América
Latina foi pior que os do Norte da África e Oriente Médio, estando muito
distantes dos índices de crescimento da Ásia Oriental e Pacífico.
Estas diferenças se explicam exatamente em razão da
diferenciação imposta pela divisão internacional do trabalho: os investimentos
realizados nos chamados “Tigres Asiáticos” estão se concentrando na produção
industrial e tecnológica, que agrega maior valor que a produção agrícola, Esta diferença
se reflete no nível de crescimento econômico. A América Latina teve as
seguintes taxas de crescimento do PIB: (2002= -0, 6%); (2003 = 1.6%); (2004 = 4.7%). A
previsão é que em 2005 e 2006 as taxas de crescimento fiquem em 3.7%.
A taxa de crescimento mundial em 2002 foi baixa, 1.7%, e em 2004
foi de 4.0%. Mas a questão é que a taxa de crescimento do PIB dos países da
Ásia Oriental e Pacifico foi em 2002 de 6.7%, em 2003 de 7.9%, em 2004 de 7.8%,
e a previsão para 2005 é de que os países da região crescerão 7.1%, e em 2006
6.6%. Ou seja, taxas acima da média mundial e bem acima das médias latino-americanas[12].
A divisão
internacional do trabalho entre países primário-exportadores (eixo América
Latina), países de capitalismo periférico mas industrializados (Ásia e Leste
Europeu) é que marcará a existência do regime econômico liberal nesta
conjuntura histórica. A liberalização econômica foi uma
imposição do sistema econômico mundial, que simultaneamente liberalizou e
redistribuiu tarefas no sistema mundial. A inserção do Brasil nesta nova
divisão do trabalho impõe uma série de restrições de longo prazo, e fazem das
promessas de reforma econômica e de supostas políticas de distribuição de renda,
uma falácia ou uma quimera.
Por isso estamos
considerando como hipótese em nossas análises (hipótese esta que será
aprofundada em nossos debates teóricos no futuro), que as mudanças no Brasil estão
se acumulando no sentido da consolidação de um regime econômico liberal e um modelo agro-industrial exportador. Isto significa que o Brasil terá sua
dependência tecnológica e econômica aprofundada (a tecnologia de ponta será
cada vez mais produzida fora do pais, e comprada a preços exorbitantes), que terá uma produção que agrega menor valor, que
gera mais desemprego (porque a agricultura capitalista é baseada em tecnologia
e não no uso intensivo de mão de obra). Desta maneira, a reestruturação
produtiva mundial, e os ajustes feitos pelas reformas econômicas, irão não
somente agravar a crise econômico-social crônica, mas também radicalizar a
dependência externa e a subordinação às flutuações econômicas do sistema
mundial, o que restringe as margens de manobra do regime político em relação à
economia.
A
aliança contra-revolucionária: imperialismo e burocracia do movimento sindical
e popular.
É
importante observar que apesar da tendência mundial a liberalização econômica,
a mudança de um regime econômico a outro não é um processo simples. Isto porque
ele exige a negociação e luta política entre as diferentes frações de classe da
sociedade. Por isso, para realizá-lo, foi necessário muito esforço e habilidade
política da parte da burguesia e do imperialismo, porque o menor erro, poderia
implicar em convulsões sociais. Neste sentido, para compreender como a
transição de regimes econômicos está se processando, é preciso observar também
a dinâmica das lutas entre frações de classe, dos partidos e sindicatos.
È importante observar
a função política que a burocracia sindical, engendrada
dentro dos movimentos e partidos reformistas, vem cumprindo desde os anos 1970.
Um padrão de alianças se estabeleceu, que conduziu a aproximação sistemática do
imperialismo e das burguesias nacionais com estas burocracias. Podemos dizer
que a comparação entre as situações políticas nacionais é um procedimento
teórico necessário à confirmação das nossas teses.
Primeiramente,
devemos lembrar, que as mudanças nos regimes econômicos capitalistas, que se
tornaram uma tendência mundial, tiveram seu início na Europa, especialmente na
Inglaterra, com o governo de Margareth Tatcher (1978),
e depois se irradiaram para a periferia do capitalismo. O regime econômico
intervencionista foi atacado pela burguesia, e apesar da resistência da classe
trabalhadora, se impôs.
Mas o mais importante
é observar o papel que partidos reformistas, socialistas e comunistas, jogariam
na transição do “estado de bem estar social” para o regime econômico liberal,
especialmente nos anos 1980. Os casos mais explícitos deste padrão de
transição, em que os partidos reformistas de base operário-popular, conduziram
as reformas necessárias à transição para o liberalismo econômico, se deram na
Espanha (com os Governos do PSOE, Partido Socialista Operário Espanhol,
1982-1990) e na França (com o PS, Partido Socialista, 1981-1989).
Na França, o Governo
François Miterrand e do PS, especialmente a partir de
1984, conduziu um conjunto de reformas (privatização, liberalização comercial, política
de juros, redução dos direitos trabalhistas) que visavam exatamente ajustar as
relações econômicas às pressões do sistema mundial. Os Partidos Socialistas,
então, foram os artífice e condutores das reformas liberais, contrariando os
seus próprios programas construídos no pós-II Guerra Mundial. Se o reformismo
já havia abdicado da revolução em favor das “reformas” que favoreceriam a
melhoria das condições de vida do proletariado, agora, estavam abdicando
inclusive destas reformas, indo de capitulação em capitulação até chegar abertamente
a contra-revolução. A identificação do reformismo com o capitalismo, nos casos
do PS e PSOE foi total, e muito funcional para o grande capital e o
imperialismo[13].
Podemos dizer então
que a função política do reformismo, de desviar os movimentos populares da via
revolucionária, se somou a uma função econômica: ajustar a economia dos países
ao novo regime liberal de acumulação de capital, desmontando o “estado de bem
estar social”, construído na Europa desde os anos 1930. Estas experiências da
Europa Ocidental desfizeram as “ilusões” com o Euro-Comunismo
e com o “Socialismo Pacífico” e etc. Isto significou que uma vez no Governo
Central, os Partidos Socialistas reformistas conduziram uma política de ajuste
baseada no monetarismo, no aumento da competitividade das empresas, e na
flexibilização dos direitos trabalhistas.[14]
Se a classe
trabalhadora e as organizações políticas operárias aprenderam pouco com estas
experiências, não se pode dizer o mesmo do imperialismo. Na América Latina, de
2000 em diante, veríamos um padrão parecido ser estabelecido. Governos de
“direita”, tipicamente burgueses, seriam substituídos por Governos de Partidos
reformistas, compostos por uma burocracia do movimento sindical e popular em
aliança com a grande burguesia e o imperialismo. E isto com o consentimento de
setores da burguesia e com apoio explicito dos EUA.
Na Argentina, o
movimento de massas que levou a derrubada do Governo De La Rua em 2001, direita do Partido Justicialista, e a eleição de
Nestor Kichner (esquerda do Partido Justicialista), exemplifica bem esta
política. No Perú, Equador e Brasil, os movimentos de massa apoiram projetos de
partidos reformistas, e todos eles aplicaram uma política contrária aquela que
haviam sustentado em seus discursos. Assim se sucedeu com Lucio Gutiérrez no
Equador, Lula no Brasil e Alejandro Toledo no Perú. Esta guinada “neo-liberal
dos Governos conduzidos por Partidos reformistas na América Latina, se
apresenta como um fenomeno histórico de suma importância. Ele comporvam o papel
político-econômico do reformismo, sua missão histórica em escala internacional.
Todos estes partidos reformistas latino-americanos assumiram
o Governo em momentos de crave crise econômico-social, e de acirramento da luta
de classes. A concessão dos Governos Centrais pela burguesia fez parte de uma
política de cooptação dos partidos reformistas, mas era também uma estrategia
de contenção dos movimentos populares, de sua neutralização. Esta foi a função
polítca do reformismo latino-americano do início do século XXI.
Mas a função econômica, de garantir a transição do
intervencionismo para o lberalismo econômico, também foi fundamental. Isto por
dois motivos: 1º) ao conceder o Governo Central aos “Partidos reformistasde
esquerda”, que fariam as reformas econômicas, a burguesia desarticulou a
oposição mais imediata que poderia provocar uma ampla radicalização (que colocaria
inclusive estes partidos reformistas numa situação em que se veriam possivelmente
obrigados a tomar ações de oposição para não perderem suas bases); logo, a
burguesia conseguiu tirar um amplo numero de sindicatos e movimentos do campo
de opositores e coloca-los no campo dos colaboradores das suas reformas; 2º) ao
dar aos Partidos reformistas a tarefa de concluir a transição econômica, a
burguesia criou uma situação em que o agravamento da crise social (desemprego,
perda de direitos e etc) será identificada com os “partidos refromistas de
esquerda”, e no médio prazo os partidos burgueses poderão reassumir tranquilamnente
os governos centrais, como “opositores” desta politica econômica. Assim, a
transição econômica será garantida, e os partidos burgueses de direita poderão
voltar ao centro da cena política mais fortes do que antes, e com mais
“consenso” eleitoral que oposição. Isto faz parte da manobra estratégica
burguesa[15].
O Imperialismo pôde
ver também que não somente o reformismo serviria como uma “oposição” consentida
dentro do regime democrático burguês, mas que em certas conjunturas históricas
ele poderia ser usado como pivô da transição econômica para o liberalismo e para
o ajuste as imposições do sistema mundial (flexibilização das relações de
trabalho, liberalização comercial, adesão aos blocos regionais como a ALCA, colaboração
militar, com a concessão de bases). A barganha é esta: a burguesia e a direita
abriam mão do Governo Central, o reformismo abria mão de seu “programa”
econômico moderado de reformas intervencionistas. Uns e outros sairiam
satisfeitos, mas a classe trabalhadora sairia derrotada.
Este padrão seria
transformado numa estratégia, aplicada na América Latina de forma mais refinada:
a aliança
contra-revolucionária entre burguesias nacionais, burocracia do
movimento sindical-popular e imperialismo, como método de garantir a transição
burguesa e o ajuste aos padrões de acumulação vigentes no sistema mundial. As
reformas realizadas hoje no Brasil, por Lula e o PT, se inserem nesta
composição de aliança de classes, e neste cenário histórico.
2- As Reformas: Universitária, Trabalhista e Sindical.
A tática correta deriva de uma correta análise teórica da
realidade. A unidade teoria-prática expressa no plano político o princípio
filosófico da dialética ação-idéia-ação,
o que significa que para ter uma ação eficaz, é preciso ter idéias que
sistematizem as experiências e ações anteriores e apontem para novas ações e
experiências.
A análise político-econômica da experiência do reformismo, no Brasil
e no Mundo, é parte necessária da luta contra as reformas do Governo Lula, pois
sem esta análise poderíamos simplesmente ser reconduzidos ao reformismo, por
não saber identificar os problemas principais da nossa sociedade e não conhecer
as lições da história, assim como as leis gerais da luta política dentro do
sistema capitalista. É preciso também compreender os impactos específicos,
políticos e econômicos, que serão gerados pelas reformas do Governo Lula.
Somente compreendendo o conteúdo destas reformas poderemos lutar com eficácia
contra elas. Devemos levar em consideração que as reformas são mecanismos político-econômicos que em seu conjunto mudarão a vida da sociedade
brasileira em geral.
Foram
cinco as principais reformas que já começaram a ser implementadas ou serão pelo
Governo Lula/PT: 1) reforma da previdência, 2) reforma
tributária, 3) reforma universitária, 4) reforma sindical e 5) reforma trabalhista. As reformas, vistas
em seu conjunto, tem um profundo impacto sobre a economia, todas elas afetando
diretamente as contas das Empresas e do Estado, transferindo os custos e
os riscos da produção (das crises e instabilidade do sistema mundial), para a classe trabalhadora brasileira.
As reformas são um
processo, que está se dando por etapas. Mesmo as reformas previdenciária e
tributária não foram encerradas por completo. Digamos que a estrutura principal
destas reformas já foi aprovada, faltando ainda alguns pontos. Iremos nos ater
aqui a discussão das reformas sindical, universitária e trabalhista, que estão
na pauta de lutas para os anos de 2005-2006.
As reforma sindical e
trabalhista devem ser vistas como uma totalidade,
pois o discurso de “democracia e fortalecimento dos sindicatos” do Governo
Lula, apenas esconde a burocratização dos sindicatos e o aprofundamento de sua
tutela pelo Estado, estando diretamente relacionada ao ataque da burguesia contra
os direitos trabalhistas.
Analisando o Ante-Projeto de Lei das Relações Sindicais de 2004,
acordado entre Centrais (CUT,Força Sindical e etc), Governo e Empresariado no Fórum
Nacional do Trabalho, podemos ter uma idéia precisa do seu conteúdo e
significado. A principal característica da reforma sindical é deslocar o poder que hoje os sindicatos detém
sobre a negociação coletiva, greve e representação dos trabalhadores, para as centrais
(artigos 97 e 101). Isto
dispensaria a consulta às assembléias de base dos trabalhadores. Alem disso, se
prevê também que as orientações determinadas pelas Centrais não poderiam ser
recusadas pelos sindicatos, e caso haja descumprimento de ordens, os dirigentes
sindicais podem ser enquadrados no código civil. Ou seja, a centralização do
poder nas mãos das centrais sindicais, e o atrelamento
das centrais a estrutura de sindicalismo de estado, é uma forma de ampliar o controle do Estado sobre a classe
trabalhadora.
Outro elemento importante são os critérios propostos pelo texto
do ante-projeto para o reconhecimento legal da representatividade das centrais
sindicais e dos sindicatos, que significa na prática a restrição da liberdade sindical,
devido a dimensão gigantesca das exigências[16].
Os sindicatos terão de ter 20% da base de uma categoria profissional para
poderem ser reconhecidos pelo Ministério do Trabalho.
Devemos considerar que: “A
taxa de sindicalização de trabalhadores em geral pouco variou, entre 1992 e
2001 (...).No entanto,esta variação não foi uniforme: enquanto, em 1992,a taxa
de sindicalização de trabalhadores urbanos,em relação à população
economicamente ativa urbana e às pessoas ocupadas na área urbana,estava em
torno de 16%,em 2001,ela era de 15%, em relação à população economicamente
ativa,e de 17%,às pessoas ocupadas.” (IBGE, Sindicatos- Indicadores Sociais
2001). Pelos dados vemos que os sindicatos urbanos, que concentram na sua base
parte expressiva da população economicamente ativa e ocupada[17],
são aqueles que apresentam a menor taxa de sindicalização, taxa inclusive aquém
das exigências para a formação e reconhecimento dos sindicatos[18].
A reforma sindical
dessa forma visa à produção de uma dupla centralização: 1) a centralização do poder nas mãos dos dirigentes das centrais, 2) centralização da sindicalização nos
sindicatos atrelados as centrais estatais. A liberdade sindical formal será
restringida pela pressão real do empresariado. E mais, esta “liberdade
sindical” criada pela reforma Lula favorecerá sempre a formação de “sindicatos
amarelos ou pelegos”, quando sindicatos classistas e combativos existirem,
permitindo ao empresariado ter na manga uma carta para produzir a divisão do
movimento sindical. Os artigos 134 e 136 dão ao Ministério do Trabalho o poder
de definir os critérios de organização a serem seguidos pelo sindicato, além de
concentrar nele o poder de resolver os dissídios coletivos. O imposto sindical
será substituído pela “contribuição da negociação coletiva”, que penalizará
ainda mais o trabalhador. O poder normativo da justiça do trabalho será
preservado e o direito de greve manterá suas restrições (artigos 190 e 200, 202
e 111 do ante-projeto).
Desta maneira, a estrutura de tutela do Estado sobre o movimento
sindical vai ganhar um novo ator: a Central Sindical, que junto com o Ministério
do Trabalho exercerá um poder discricionário sobre a classe trabalhadora. A Central Sindical
será um mecanismo de cooptação, que irá gerar uma monstruosa “burocracia sindical”, motor fundamental
da colaboração de classes e peça decisiva da dominação burguesa. É a definitiva
institucionalização do reformismo como correia de transmissão da dominação capitalista,
e peça chave da cadeia do imperialismo mundial.
A reforma trabalhista vista na sua inter-relação com a reforma
sindical, ganha contornos bem claros. Não é por acaso, que apesar do Governo
Federal afirmar que votará a reforma sindical antes da reforma trabalhista
(esta entrando na pauta somente em 2006 ou num possível inicio de segundo
mandato de Lula, em 2007), a burguesia
industrial brasileira em especial está pressionando para que elas tramitem
simultaneamente no Congresso[19]. Pelo projeto de lei em referência (PL 5.483/2001),
se institui o “prevalecimento no
negociado sobre o legislado”. Neste sentido, a legislação passa a ser
subordinada a correlação de forças entre patrões e empregados em cada categoria
profissional, podendo ser objeto de “negociação” entre as partes: a) a divisão
e a redução do período de férias; b) a forma de pagamento do 13º salário; C) e
o prazo para registro da admissão na CTPS, que hoje é de 48 horas, dentre
outras coisas etc. Além disso, dois mecanismos importantes serão introduzidos:
1) Suspensão
do contrato de trabalho: Em vez de demitir, a empresa suspende o
contrato de trabalho por 2 a 5 meses, oferecendo curso de qualificação ao
trabalhador (um eufemismo que esconde a aplicação do just in time as relações de trabalho). Durante o curso, o trabalhador
recebe uma bolsa do FAT; 2) Lei da aprendizagem: estimula as empresas a contratar como “aprendizes” jovens de 14 a 18
anos. Estima-se que até 2 milhões de jovens poderão ser contratados, numa
descarada institucionalização do trabalho infantil.
Com os sindicatos
atrelados de maneira praticamente completa ao Estado, criar o “prevalecimento do negociado sobre o legislado”, significa entregar
a classe trabalhadora de mãos e pés amarrados à burguesia, como se entrega um
condenado ao carrasco. Para ver que isto não é exagero basta considerar que
mesmo com a existência da CLT: “A maioria
dos brasileiros não usufruem dos direitos sociais previstos em lei: não tem
direito a 13º salário (54%); férias remuneradas (55%) ou plano de saúde (81%).
Ganham pouco (56% faturam no máximo dois salários mínimos, 360 por mês,
trabalham muito – quando conseguem vaga, já que 11% estão desempregados e 16%
fazem bicos”. (Folha de São Paulo, Especial, 24/03/2002).
A reforma universitária está sendo imposta por um conjunto de leis que (com exceção da Lei 8958/94) vem sendo implementadas
a partir de 2003; Medida Provisória 2003; PEC28/2003;
PEC27/2003; PEC217/2003; Anteprojeto
da Lei Orgânica da Educação Superior - MEC/2004). A
reforma universitária irá consolidar a tendência histórica verificada da
educação na sociedade brasileira de elitização do ensino superior. A expansão
que se tem realizado desde os anos 1990, favorece os empresários da educação,
não garantindo ao povo, a universalização do acesso a educação. Isto é claro,
acontece com o Governo Lula/PT afirmando que está abrindo
caminho para a “democratização do acesso a universidade”.
Em 1998, das 776.031
vagas oferecidas no ensino superior no Brasil, 570.306 eram nas universidades
particulares, mais de 70% do total de vagas oferecidas. As universidades
privadas em 2002 já representavam 88% do total das universidades. Mas apesar
disso, a inadimplência dos alunos matriculados na rede privada chegava a 35%
dos estudantes. Isto faz com que o Brasil tenha uma taxa de jovens de 18 a 24
anos no ensino superior de apenas 12 %, pior do que da Argentina (39%), Chile
(25%) e Bolívia (23%)[20].
A política do Governo
para a reforma universitária prevê dois conjuntos de ações, uma de curtíssimo
prazo e outra de longo prazo. A de curto prazo é um golpe de marketing, a “estatização”
das vagas nas universidades particulares com o PROUNI (programa universidade
para todos). O programa significa uma renuncia fiscal de 3 bilhões anuais, recursos
que poderiam ser investidos nas universidades publicas. As medidas de longo
prazo são dadas pelas Parcerias Público-Privadas
(PPP) que prevêem o financiamento empresarial das universidades e a renuncia da
responsabilidade do Estado para com o financiamento do ensino publico; A “Lei
da Inovação tecnológica”, que incentiva as
universidades a fazer pesquisas direcionadas para o setor privado e permite que
o pesquisador tenha direito nos ganhos das patentes, formando então a figura do
“pesquisador empresário[21]”.
Quer dizer, o que há
de permanente na reforma universitária é a tendência a subordinar as universidades
ao mercado e ao empresariado, tanto do ponto de vista da sua função (a
universidade produzirá serviços para empresas) quanto do ponto de vista da sua
lógica interna (a universidade será uma empresa que vende o serviço “educação”).
Todas estas reformas estão integradas numa lógica perversa, a da transição do regime econômico intervencionista para
um regime econômico liberal, e no
caso brasileiro poderíamos dizer liberal e agroindustrial-exportador[22].
Esta nova etapa do
capitalismo (iniciada com a revolução microeletrônica nos anos 1970) está
redefinindo a hierarquia de poder e funções entre os continentes e países, a reformas
que estão acontecendo no Brasil visam ajustar a economia e a política as
exigências do sistema mundial e do imperialismo. Podemos dizer que EUA, União
Européia, Rússia e China, Japão e os Tigres Asiáticos (o eixo do Atlântico
Norte), constituem hoje o arco do Capitalismo Avançado, com economias baseadas
na industria de ponta e na tecnologia; América Latina, África, Leste Europeu, e
Oriente Médio e Ásia Central, estão sendo submetidas por esta uma nova ordem da
economia mundial, em que a América Latina volta a se transformar numa economia
primário-exportadora (complementando a demanda dos países de capitalismo
avançado), e os países do Oriente Médio são submetidos ao neo-colonialismo e
convertidos em economias exportadoras de petróleo.
Os
efeitos sociais catastróficos desta nova etapa do capitalismo mundial, que
acompanham o regime liberal e agroindustrial-exportador impostos à economia e a
sociedade brasileira, são nítidos. Não somente no Brasil, mas em toda a América
Latina, e também no mundo fica patente a tendência ao aumento da miséria e da
injustiça. Nos anos de 1981 a 1990, o Produto Interno Bruto (PIB) da América
Latina diminuiu 0,6% por ano. Entre 1990 e 1996 o PIB da região cresceu 2,5%,
enquanto que o PIB dos paises da Ásia cresceu 6,5% em média. Entre 1998 e 2003,
o PIB latino-americano voltou a ter um desempenho negativo em relação a outras
regiões, com -0,1%. Isto implicou também o aumento da miséria sendo que
atualmente 44% da população da América Latina é formada por miseráveis, o que
equivale a 214 milhões de pessoas, 14 milhões de pessoas passando a viver nesta
situação nos últimos dez anos. (ver http://www.pstu.org.br/ e http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/relext/mre/orgfin/fmi/).
No Brasil, o
crescimento econômico (a grande “solução” do Governo Lula para os problemas
sociais), historicamente está associado não com a melhoria das condições
econômicas da classe trabalhadora: “De
fato, entre 1940 e 1989, para uma expansão média anual do Produto Interno Bruto
de 7,5%, a ocupação total aumentou 2,0%, sendo de 5,4% a elevação do emprego
assalariado com carteira assinada. Com isso, a produtividade total do trabalho
(produto/ocupação total) cresceu a uma taxa média
anual de 5,3%, enquanto a produtividade do trabalho assalariado formal (produto/emprego formal – produtividade parcial do trabalho)
aumentou 2,0% ao ano. Nos anos 90, o Produto Interno Bruto apresentou um
desempenho menor, cerca de 2/3 inferior à variação média anual do período
1940/89. Com variação média anual do PIB de 2,2%, a ocupação total cresceu
1,5%, enquanto o emprego formal foi reduzido, em média, 1,2% ao ano.[23]” Ou seja, o
crescimento econômico na periferia do capitalismo mundial implica exatamente a precarização do trabalho e consequentemente
o aumento da miséria, como o caso brasileiro e latino-americano confirmam,
guardando é claro suas diferenças de caso a caso. Nos dois anos de Governo Lula
(2003-2004), a mesma tendência se verifica: o emprego cresceu pouco, e quando
cresceu, cresceu na informalidade e na precariedade[24].
As
reformas do Governo Lula representam assim uma pressão negativa sobre as
condições materiais de existência da classe trabalhadora. No entanto, esta é
uma tendência de médio e longo prazo. No curto prazo, as políticas das reformas
podem obter simpatia de parte da população, exatamente porque as condições
econômico-sociais herdadas da ditadura militar e dos primeiros governos
liberais eram tão ruins, que mesmo medidas paliativas de curtíssimo prazo tem
um efeito econômico real: uma redução do desemprego (mesmo que os novos
empregos sejam instáveis, sem direitos e mal remunerados), para uma massa de
população desempregada, é uma alternativa real. O Governo Lula/PT
está explorando esta contradição a seu favor. O dever dos revolucionários é
exatamente contrapor estas políticas pela luta teórico-ideologica
e pela luta reivindicativa de massas.
A tese bakuninista contra o reformismo e o liberalismo.
Num certo sentido, o
que testemunhamos agora, a fase final da degeneração do PT (sua conversão de
partido reformista em partido contra-revolucionário), é um processo
político complexo, e que se verifica também nas diversas partes da América
Latina e do mundo. Longe de ser uma mera “traição”, a degeneração do PT
expressa a degeneração de uma parte da própria classe trabalhadora, que foi
levada ao campo da contra-revolução devido a sua política de colaboracionismo
de classes, que a via reformista induz.
Neste sentido, é
importante que a classe trabalhadora consiga compreender o porque da estratégia
revolucionária apontar para a necessidade de separação do proletariado da
política burguesa, de boicotar a democracia burguesa e suas eleições, de
afirmar que a única política do proletariado é a política da sua própria
organização. Esta estratégia revolucionária é um dos elementos característicos
do bakuninismo. A intransigência na defesa dos
direitos da classe trabalhadora. Bakunin afirma:
‘Mas, porque o povo não há de enviar as assembléias
legislativas e ao governo seus homens do povo? Primeiramente, porque os homens
do povo, devendo viver de seu trabalho braçal, não tem tempo de consagrarem-se
exclusivamente a política; não podendo fazê-lo, estando a maioria das vezes
ignorantes das questões econômicas e políticas que se tratam nestas altas
regiões, serão quase sempre as vitimas dos advogados e dos políticos burgueses.
E logo, porque bastará quase sempre a esses homens do povo entrar no governo
para converter-se em burgueses por sua vez, em certas ocasiões mais detestáveis
e mais desdenhosos do povo de que saíram que os próprios burgueses de
nascimento. Vejam, pois, que a igualdade política, ainda nos Estados mais
democráticos, é uma mentira. O mesmo passa com a igualdade jurídica, com a
igualdade perante a lei, A lei é feita pelos burgueses e para os burgueses, e é
exercida pelos burgueses contra o povo. O Estado e a lei que ele expressa não
existe mais que para eternizar a escravidão do povo em benefício dos
burgueses.” (Três Conferencias aos Operários do Vale Saint-Imier).
Esta constatação é um dos elementos fundamentais
do bakuninismo. A interdependência do sistema
econômico capitalista com o sistema político e o regime democrático-burguês. A
disputa política na democracia burguesa encontra seus limites e complementação
na economia capitalista. Jamais uma mudança processada por meio das regras da
democracia burguesa poderiam transformar o sistema econômico. A análise histórica da experiência reformista
mostra exatamente o seguinte, confirmando as teses bakuninistas:
1) a dialética da política com a economia inviabiliza o “reformismo” em geral,
a transformação do capitalismo por meio das eleições do regime democrático-burguês.
Ou seja, a democracia burguesa irá sempre reproduzir a exploração e dominação do
proletariado; 2) a dinâmica de ação-reação das nações com o sistema mundial (especialmente
a divisão internacional do trabalho), inviabiliza particularmente o reformismo
nos paises periféricos. Isto no sentido que o “Estado de Bem estar Social”,
existente na Europa entre 1945-1980, jamais foi conhecido nos paises de
capitalismo periférico. E exatamente por isso, pois o compromisso
social-democrata na Europa implicava um acordo com o imperialismo, que
transferia para a América Latina, Ásia e África, a super- exploração,
permitindo assim as concessões ao movimento sindical da Europa. Na periferia do
capitalismo, o reformismo só pode ascender ao Governo Central com um
compromisso mais explicito com o Imperialismo, e sem condições econômicas de
fazer reforma efetivas como foram realizadas na Europa dos pós-II guerra. Isto porque os regimes político e econômico de
cada país concreto estão sempre em processo de ação e reação com a economia e
mundial, tanto cada “parte” (cada país e economia nacional) age sobre o todo, o
sistema mundial, como o todo, o sistema mundial, age sobre cada parte. A
dialética da política com a economia, em cada país, se insere ainda dentro da
dinâmica de ação-reação das nações com o sistema mundial, o que significa que a
margem de manobra de “reformas” econômicas é extremamente reduzida, sendo impossível
contrariar as imposições do imperialismo e da economia mundial.
“Na verdade o sistema político estatista,
vinculado dialeticamente ao sistema econômico capitalista, produz no campo da
“democracia burguesa” as mesmas tendências verificadas na economia capitalista:
monopolização dos recursos, centralização do poder nos grandes partidos, e
dentro dos partidos nas direções (como nas grandes empresas o poder se
concentra na mão dos acionistas e tecnocratas), incentivo a concorrência e etc,
fortalecimento da acumulação de capital e pauperização
dos trabalhadores (expressa no plano político na dependência clientelista para acesso a recursos públicos). As
“eleições” na democracia burguesa, acorrentadas pelas forças econômicas do
capitalismo e circunscritas pelo próprio caráter da organização do Estado,
produz necessariamente “Governos” que servirão ao interesses da burguesia e do
imperialismo. O caso do PT e de Lula confirma a tese bakuninista
de que a “tática da luta democrático-burguesa”, leva os partidos adeptos dela
ao oportunismo e a contra-revolução, pois subordina o proletariado a política
burguesa. A concorrência eleitoral burguesa cerca os partidos de uma serie de
determinantes materiais e simbólicos que os transformam, e produzem lentamente
o que poderíamos chamar de a “lei da petização” –
processo necessário de domesticação, burocratização e emburguesamento
progressivo dos partidos reformistas e organizações atrelados à democracia
burguesa.” (Não Vote Lute, UNIPA, Comunicado nº 02).
Podemos então concluir
afirmando o seguinte: 1) as reformas estruturais feitas pelo Governo Lula
representam na verdade o capítulo final da transição burguesa no Brasil, de um regime econômico intervencionista a um regime econômico liberal, coroando a
transição pacifica de um regime político
de ditadura burguesa a um regime político de democracia burguesa;
2) esta mudança de regimes políticos e econômicos foi o resultado de um duplo
movimento; das imposições do sistema mundial, nos anos 80, das lutas de classe
dentro dos contextos nacionais; 3) nesta conjuntura histórica, este processo se
deu em toda a América Latina, implicando um processo de adequação
econômico-social as imposições das agências financeiras e do imperialismo; 4) o
reformismo do PT é a expressão brasileira de um fenômeno latino-americano e
mundial, o da aliança das burocracias dos movimentos sindical e popular com o
imperialismo, transformando-se os partidos reformistas agora
abertamente em partidos contra-revolucionários.
A democracia burguesa,
como afirmou Bakunin, foi à fórmula mais perfeita de
dominação encontrada, já que destrói a unidade da classe trabalhadora “de
dentro para fora”, com a cooptação, e não “de fora para dentro”, com a
repressão. Por isso, é necessário que a classe trabalhadora aprenda com estas
lições históricas, e tenha o cuidado de não se deixar novamente levar pela via
reformista. E para isso é preciso determinar uma correta tática de luta. Para alcançar esta tática, e determinar
corretamente as tarefas de nossa luta política, é preciso ter em mente estes
processos e esta análise teórica.
3– As
Tarefas do Proletariado: a luta contra as reformas em meio à disputa governismo/oportunismo.
Podemos
dizer que as condições objetivas e subjetivas para um ascenso
da luta de classes, estão amadurecendo. Em julho de 2004 indicamos que as
condições econômico-sociais (a retomada do crescimento com deterioração das
condições econômicas de vida dos trabalhadores), forneciam condições objetivas mínimas para o início deste processo. Afirmamos
também que a crise do governismo e o desgaste parcial
do Governo forneciam as condições
subjetivas, e que restaria saber se
existiriam organizações políticas com força e vontade de explorar tais
condições objetivas e subjetivas. Como indicamos, o campo revolucionário no
Brasil ainda é incipiente, e os partidos em condições de apresentarem como
alternativas nacionais, eram ainda partidos reformistas[25].
O
PSTU e o PSOL se colocaram como alternativas, de dentro do campo reformista ao
PT. Entretanto, enquanto o oportunismo de direita do PSOL, que criou muita
“expectativa”, se dilui progressivamente numa fraseologia dispersa e pouca
iniciativa prática, o PSTU deu passos importantes e concretos no sentido de
romper de fato com o Governismo: a mobilização para o
CONLUTAS (Coordenação Nacional das Lutas) e o CONLUTE (Coordenação Nacional das
Lutas Estudantis). Ao dar início a uma alternativa de massas para a ruptura com
o Governismo, baseada na ação direta popular e proletária, o PSTU está cumprindo um
importante papel: o de iniciar a criação de novas organizações de luta do
proletariado. E esta luta está fundamentada numa contradição histórica
entre os interesses econômicos da burguesia, materializados nas reformas do
Governo Lula, e os interesses da classe trabalhadora. As reformas do governo
Lula constituem assim, nesta conjuntura, uma contradição estratégica entre a burguesia e o proletariado
brasileiro.
Como já afirmamos, no
curto prazo as principais alternativas para massas sairão do campo reformista,
e não do campo revolucionário. Dentro deste campo, duas alternativas
partidárias se colocam como parte do anti-governismo: o PSOL (o oportunismo de direita) e o PSTU
(oportunismo de esquerda). Devemos lembrar que o oportunismo de direita e o
oportunismo de esquerda, assim como o governismo, são
posicionamentos políticos, e que os partidos reformistas podem oscilar entre
elas. Isto vem acontecendo com o PSOL, que aprofundado-se no oportunismo de
direita, tem hoje grande parte do partido sendo reconduzido ao próprio governismo. O PSTU, apesar das suas ultimas ações, manteve
uma política ambígua com relação a UNE, demorando até janeiro de 2005 para
entregar os cargos da Direção Nacional da entidade)[26].
As reformas
universitária, sindical, e trabalhista implicarão uma polarização política dentro
da sociedade brasileira. A burguesia, representada por seus partidos (PMDB,
PFL, PSDB), com os partidos reformistas-governistas (
PT, PSB, PC do B etc) de um lado, como campo pró-reformas, e o campo das forças
anti-reformas, de outro lado, composto
por partidos reformistas e pelos pequenos grupos revolucionários, e o que é
mais importante, as organizações populares e sindicais. Podemos falar que no
curtíssimo prazo, a dinâmica da luta de classes será pautada pela luta entre governismo e anti-governismo.
Esta contradição, não
sendo a principal contradição social dentro do capitalismo, deve ser explorada
taticamente pelos revolucionários que devem tomar parte no campo
anti-governista e nas lutas de massa contras as reformas do Governo Lula/PT. No entanto, dentro deste campo anti-governista, é preciso manter a
luta teórico-ideológica entre revolucionários e oportunistas, criando também
uma polarização revolução X reformismo no
interior do campo anti-governista. Esta oposição
revolucionária no interior do campo anti-governista e das novas entidades/organizações populares, que estarão sendo
dirigidas pelo reformismo, é o que pode trazer algo de mais positivo e
duradouro para o movimento de massas. A formação das novas entidades em oposição
as governistas CUT, UNE e etc, devem se dar então sob o fermento de duas
batalhas político-ideológicas distintas; a do anti-governismo X governismo e
a da oposição revolução X reformismo dentro
do campo anti-governista[27].
A ruptura com o
movimento sindical e estudantil atrelado ao governismo
é uma decisão correta, e a formação de novas entidades é um processo necessário
e já em curso. Neste sentido, o PSTU está sabendo aproveitar o momento
histórico no sentido da realização de seus objetivos. Mas como dissemos, o uso
da estratégia da ação direta e construção de novos pólos de organização
sindical-popular e estudantil, abrem espaço para a intervenção revolucionária. O CONLUTAS e o CONLUTE se apresentam hoje
como as alternativas reais de reorganização do proletariado.
O CONLUTAS e o
CONLUTE, dando seqüência ao processo já iniciado, de ruptura com o governismo, e impulsionando a luta e a ação direta de
massas, cumprirá um papel fundamental no atual momento histórico. No entanto
devemos defender que tais espaços terão validade somente enquanto apontem para
mobilização efetiva do proletariado, materializando a polarização entre governismo e anti-governismo, e contribuindo para o aumento da
intensidade das lutas de classes. A hegemonia global do PSTU, que se manifestará
inicialmente, e legitimamente dentro do CONLUTAS e CONLUTE, deverá ser disputada
localmente pelos revolucionários, que deverão expandir seu campo de influência
junto as massas. A unidade anti-governista deve ser preservada, juntamente com
a oposição revolução X reformismo. Isto porque a contradição revolução X
reformismo se manifestará mais cedo ou mais tarde, possivelmente em 2006 nas
eleições presidenciais, quando o reformismo tentará canalizar ou deter as lutas
para favorecer sua participação eleitoral na democracia burguesa.
A
situação estratégica
As tarefas de luta do
proletariado devem ser definidas em função da sua situação estratégica. No
período que vai de 2005 até 2006, de vigência da luta governismo
X anti-governismo, a ofensiva estratégica no terreno político-econômico pertence
à burguesia, e a defensiva estratégica ao
proletariado. Isto quer dizer que quem está desenvolvendo ações no sentido de
efetivamente conquistar seus objetivos e expandir a realização de seus
interesses no curto prazo é a burguesia, enquanto que o proletariado passará
prioritariamente a se defender. Mas a defensiva estratégica pode ser passiva ou
ativa[28].
A defensiva ativa prepara a contra-ofensiva; a defensiva passiva apenas retarda a derrota. Neste sentido, a defensiva
estratégica do proletariado deve ser ativa e não passiva.
Para amparar esta afirmação, que a atual situação do proletariado
se caracteriza pela defensiva estratégia, podemos olhar os dados disponíveis. Segundo
o IBGE: “Do total destes sindicatos pesquisados,
apenas 13%tinham conhecimento de greve em sua base, sendo que esta relação
percentual é mais elevada para empregados urbanos (19%) do que para
trabalhadores avulsos (4%)e trabalhadores rurais (5%).Por outro lado,no que se
refere aos motivos de greve (listados pelo questionário da Pesquisa
Sindical),não houve nenhum que se destacasse sobremaneira -sendo que o de maior
freqüência foi "manutenção de direitos adquiridos
anteriormente"(27%),sendo seguido por "não cumprimento de acordo"(24%),"abertura
de negociações"(22%),"ampliação de direitos"(21%)e "outros
motivos"(6%)[29].
Isto significa que poucos sindicatos estavam fazendo luta reivindicativa, e
os que faziam, apenas 20% faziam lutas que visavam ampliar direitos.
É preciso reconhecer,
com realismo e sem delírios triunfalistas, que no
momento a ofensiva estratégica pertence
à burguesia e a defensiva
estratégica ao proletariado. A principal característica desta situação, de
defensiva estratégica é que, o principal objetivo é conservar e ampliar as próprias
forças e não destruir as forças do inimigo.
Em outras palavras, os
objetivos do proletariado no atual momento não são a destruição do Estado e do Capitalismo, porque não existem condições
objetivas e subjetivas para isso. No momento, os principais objetivos destrutivos/criativos são: 1) a liquidação da
presença governista no movimento popular e sindical; 2) o desgaste dos partidos
reformistas e a expansão das áreas de influência das organizações
revolucionárias; 3) a construção de novas ferramentas de luta do proletariado,
ou seja, de novas organizações populares e sindicais, fundadas sobre a
estratégia da ação direta, e sua expansão. Estas são pré-condições para que o
proletariado brasileiro possa no médio prazo retomar a ofensiva estratégica no terreno político-econômico e ajudar a criar
as condições objetivas e subjetivas da eclosão, no longo prazo, de uma situação revolucionária no Brasil.
Estas são
pré-condições da luta revolucionária no Brasil. A formação de um movimento de
massas independente da tutela estatal e empresarial, a ampliação da quantidade
e da representatividade das novas organizações. É preciso vencer então dois
obstáculos: 1) a debilidade organizativa; 2) a baixa combatividade (o pouco
envolvimento das organizações em lutas reivindicativas, na cidade e no campo).
A construção de uma via revolucionária é o final de um
processo cumulativo de lutas e experiências, e não uma decisão “formal” tomada
num encontro ou congresso. Ou seja, não se trata de aprovar formalmente numa
votação que as organizações de massa devem ser “revolucionárias”, isto não só
ajudaria como pode efetivamente atrapalhar. A função das organizações de massa
é desenvolver a luta reivindicativa, a principio e durante a maior parte do
tempo. É aglutinar as grandes massas e separá-las da política burguesa. As
pré-condições para a vitória da via revolucionária não advém de uma
declaração formal, porque tais declarações se encontram inclusive no campo governista
(basta ver os documentos delirantes do PC do B, que fazem alusões ao socialismo
e a revolução em praticamente todos os seus itens), mas sim da estratégia
prática adotada pelo movimento de massas no processo de organização e luta[30].
Uma análise da adesão sindical
do proletariado brasileiro mostra que ele se encontra ainda atrelado às organizações
tuteladas pelo Estado e a Burguesia. Ainda
segundo os dados do IBGE: “Considerando-se
o total de sindicatos de trabalhadores em 2001 (11 354), 38%(4 304) encontram-se
filiados às centrais sindicais. Entretanto, observa-se um crescimento do
percentual de sindicatos filiados às centrais sindicais relativamente a 1992
quando apenas 30%dos sindicatos apresentavam-se filiados.” Isto significa
em termos absolutos que num universo de 11.354 sindicatos, um total de 4.304
estão filiados a centrais. O total de trabalhadores associados a sindicatos é
em 2001 de 19.528.311 (urbanos = 10.391.687 e rurais = 9.216.544). Ou seja,
menos de 25% da população economicamente ativa está associada a sindicatos. Deste
universo, 52% do total de associados são associados a sindicatos filiados a
centrais, o que significa 10.154.721 trabalhadores. Deste número de associados
estão nas bases da CUT, 7.225. 475 trabalhadores,
da Força Sindical 1.757.547, e outras
Centrais 1.171.698 de trabalhadores[31].
Para
termos uma base de comparação, a mobilização popular que derrubou o governo De la Rua, e que depois ficaria conhecida como o “Argentinazo”, contou com a mobilização de cerca de
4 milhões de pessoas (numa população economicamente ativa de 30 e população
total de 38 milhões na Argentina), o que equivale a 13% da população ativa[32].
Tomando a experiência histórica Argentina como base, podemos dizer que a força
popular mobilizada necessária para derrubar um “Governo” no caso brasileiro
seria cerca de 9 milhões de pessoas (isso para derrubar um Governo, e não para
fazer uma revolução, o que não aconteceu na Argentina também). Hoje, a central
sindical com maior força e base está nas mãos do Governo.
Logo
a tarefa de reconstrução das organizações de luta, independentes e classistas
do proletariado, deve considerar e não ignorar, esta realidade. É preciso criar
um pólo que permita aglutinar os trabalhadores para a luta reivindicativa, e
através desta, desenvolver progressivamente, a consciência revolucionária. O
processo de luta por melhoria das condições do proletariado é o ponto de
partida, a consciência revolucionária é o ponto de chegada. Preparar a
alternativa teórico-ideologica revolucionária, e
disputar a direção das lutas de massa com o reformismo, é o papel principal das
organizações revolucionárias.
Neste
sentido, a estratégia será o
principal ponto de divergência entre revolucionários e reformistas. A
estratégia da ação direta (da luta através de greves e manifestações de rua), deve
ser a bandeira dos revolucionários, a estratégia da ação indireta, será a
bandeira dos reformistas, mesmo que não imediatamente[33].
Na prática a estratégia da ação direta leva a separar o proletariado da
política da democracia burguesa; a estratégia da ação indireta leva a subordinação
do proletariado a política burguesa (que reconduzirá o movimento às mesmas derrotas
e impasses de hoje). Por isso a tarefa das vanguardas revolucionárias é
garantir o prevalecimento da estratégia da ação
direta na frente única anti-governista. Porque a ação direta é o meio principal
de educação política do proletariado e de garantia da sua independência efetiva.
Notemos
o seguinte comentário, feito por uma delegada de sindicato sobre o Encontro do
CONLUTAS em janeiro de 2005: “A
preocupação é como esta nova coordenação dos trabalhadores vai funcionar. Há
divergência no formato e na organização que não podem ser ignoradas. Mas em um
ponto, os partidários da CONLUTAS tem acordo: segundo Vera, foi entendido pelos
presentes que a CONLUTAS deve priorizar a luta dos trabalhadores e movimentos
nas ruas, secundarizando a luta estritamente
parlamentar[34].”
Esta opção pela ação
direta, tem um efeito também sobre as questões organizativas. A burocratização,
centralização do poder nas cúpulas
sindicais e decisões “de cima para baixo”, são medidas necessárias à
domesticação do proletariado. O próprio empresariado se insurge contra a
organização dos trabalhadores no local de trabalho, e está apoiando a
centralização do poder nas famigeradas centrais sindicais. Neste sentido, a defesa
da democracia direta, como sinônimo da organização de baixo para cima e da
circunferência para o centro, será outro ponto de diferenciação entre revolução
e reformismo no futuro. Somente uma Coordenação de Lutas baseada
permanentemente na democracia direta será capaz de manter o proletariado
permanentemente mobilizado para a luta.
A participação da
UNIPA no CONLUTAS e CONLUTE será pautada então pelos objetivos acima indicados (destruir
o governismo, fortalecer a reorganização do proletariado)
e pela análise teórica aqui exposta. A nossa tática assim se pauta numa analise
materialista da realidade. As tarefas a serem cumpridas pelo proletariado militante
no atual momento, segundo o entendimento da UNIPA são:
1) disputar as entidades e os movimentos de
massa pela base (locais de trabalho, moradia e estudo) quando possível os
sindicatos, diretórios/centros acadêmicos, entidades
estudantis municipais e etc; disputar onde for possível às entidades no plano
de articulação regional, fazendo oposição as suas direções quando subordinadas
ao governismo.
2) participar ativamente dos esforços de
esvaziamento das entidades governistas (CUT e UNE) e da formação de novas
ferramentas luta do proletariado (CONLUTAS
e CONLUTE);
3) promover a unidade na ação direta de
massas, entre todas as forças anti-governistas através do CONLUTAS e
CONLUTE, mas alertando as massas das contradições do oportunismo
de direita e de esquerda, e incitando a luta revolução X reformismo no interior do campo anti-governista; combater a
burocracia e o colaboracionismo que o reformismo irão engendrar.
4) formar um bloco revolucionário dentro do CONLUTAS e CONLUTE. Isto significa
aplicar uma política de unir todas organizações de massa, que tenham a presença
de revolucionários socialistas, em torno de um eixo de alianças que permita
combater o reformismo, garantindo a independência das novas organizações da
classe trabalhadora. Os pontos de convergência são: 1) a defesa da ação direta como
estratégia principal do CONLUTAS, rechaçando o colaboracionismo democrático-burguês;
2) defender democracia direta proletária, como forma permanente de mobilização.
Estes pontos organizativos devem se somar a um
programa emergencial de resistência e defesa dos direitos dos trabalhadores,
que dêem uma alternativa as propostas das reformas do Governo Lula. Os pontos
deste programa são estes:
5) combater
a reforma universitária: derrubar às Parcerias Público-Privadas
e o PROUNI. Defender que os investimentos feitos na compra de vagas nas
universidades particulares sejam destinadas à expansão do sistema público de
ensino superior; combater o sistema de contratação “temporária” de professores;
exigir o investimento público na educação fundamental e média e no ensino
superior, através da limitação do pagamento da divida externa.
6) combater
a reforma trabalhista: recusar o prevalecimento
do “negociado sobre o legislado”, que implica a flexibilização dos já pisados direitos
trabalhistas; tomar como medida de combate ao desemprego não à flexibilização
dos direitos, mas a redução da jornada
de trabalho para seis horas diárias sem redução dos salários.
7) combater
a reforma sindical: recusar a centralização dos movimentos nos sindicatos
de estado e o peso dado as centrais sindicais; defender a autonomia sindical, o
que implica defender o fim do imposto sindical e a não cobrança de “taxa de
negociação coletiva”;
8) a frente única anti-governista do
proletariado deverá formular um programa
reivindicativo amplo que aglutine as massas trabalhadoras, e que substitua
o programa anti-governista quando este se esvaziar, dando ao CONLUTAS uma
identidade mais estável. Este programa reivindicativo tem 6 pontos
fundamentais: 1) terra, 2) trabalho, 3) moradia; 4) saúde; 5) educação; 6)
controle proletário (sobre as terras, fábricas e serviços públicos
fundamentais). Além disso, deve ter como palavra de ordem: 1) Todo
Poder para o Povo[35].
Este programa reivindicativo e esta
palavra de ordem servirão para a agitação e propaganda entre as massas da
cidade e do campo, e para a organização e luta do proletariado depois de
encerrada as lutas contra as reformas (independentemente da vitória ou derrota
do proletariado nessa batalha).
Compreendendo a atual
conjuntura histórica, e sabendo a situação de defensiva estratégica vivenciada
pelo proletariado, a tática defendida pela UNIPA aponta para uma defensiva ativa, que permita a retomada
no médio prazo da contra-ofensiva e a passagem no longo prazo para a ofensiva
estratégica. É preciso saber, entretanto, que a luta contra as reformas, dentro
das atuais circunstancias é uma luta difícil de ser vencida. Como já afirmamos,
evitando ilusões, evitamos a derrota. Existe grande possibilidade das reformas
serem realizadas. O principal objetivo da luta contras as reformas é a
destruição do governismo e a reorganização
independente do movimento sindical e popular em geral, e a conservação de suas
forças. Com este objetivo alcançado, será possível retomar a ofensiva na luta,
mais à frente.
Por isso conclamamos
os trabalhadores a se juntarem a UNIPA no seu trabalho de formação de
organizações de massa classistas e combativas, as comissões de luta e comitês
de resistência nos locais de trabalho e moradia; conclamamos os estudantes
pobres a organizarem os núcleos de ação direta nas escolas e universidades. Conclamamos
as demais organizações e grupos revolucionários a trabalhar pela construção de
um bloco
revolucionário no interior do CONLUTAS e CONLUTE, que possa
materializar a contradição revolução X reformismo, combatendo o sectarismo e
ajudando na formação da frente única do proletariado contra as reformas do
Governo Lula.
“É com a sinceridade daqueles que compartilham dores e
problemas que nos colocamos publicamente. É com a humildade daqueles que sabem
da limitação de suas forças que lançamos nossa posição política a público. É
devido à responsabilidade revolucionária que rompemos nossas próprias
limitações e falamos sobre questões que ninguém pode silenciar.” Esperamos assim estar contribuindo, mesmo que
modestamente, para as lutas de libertação do proletariado brasileiro.
Classe
Trabalhadora – Nem um Passo Atrás!
Ousar
Lutar ! Ousar Vencer !
[1] Analisada por nós documento “A
Crise do Governismo e a Estratégia da Ação Direta”,Comunicado
da UNIPA, Nº 01, Julho de 2004.
[2] Jose Genuíno,em matéria do Jornal “O Estado de São Paulo”, ver Ruptura VI-2004,
p.21.
[3] Revista Ruptura Nº 05, dezembro de
2002/janeiro de 2003.
[4] Ver “Lula é candidato a reeleição e
vai ganhar”, Folha On line, em Brasília 11/08/2004.
[5] Neste processo o Brasil viveu
constantes guerras civis: 1932, com o movimento constitucionalista de São
Paulo, e em 1935 a insurreição realizada pelo Partido Comunista. Ou seja, a
mudança dos regimes políticos e econômicos sempre foram precedidos pela guerra
de classes.
[6] Muitos colocam o fim da Ditadura em
1985, quando Sarney assume a presidência.Isto não é verdadeiro. A Ditadura é um
regime político, e o fato de ter um presidente civil não muda a estrutura de um
regime. O regime só deixou de ser a ditadura efetivamente, em 1989.
[7] É importante não esquecer que dentro
do PT existiam tendências lideradas por ex-combatentes da guerrilha, e que
muitos deles estariam dispostos, segundo os temores da burguesia, a retomar as
armas. Além disso, os militares de extrema direita, vinculados a linha dura e a
chamada “comunidade de informações”, tentavam articular um novo golpe.
[8] Lembremos que Collor renunciou sob
pressão política, e Itamar Franco, o vice-presidente é que encerrou o seu
mandato.
[9] É importante lembrar que esta estabilização só se tornou
possível devido ao confisco da poupança realizada no Governo Collor, que sacrificou em grande parte a “classe
trabalhadora”.
[10] Podemos dizer que proletariado rural e o campesinato,
organizados nos movimentos de luta pela terra, e o proletariado do comercio e serviços, especialmente o funcionalismo
publico, vinha lançando continuas campanhas de luta contra FHC até 2001. O
proletariado industrial, nesta conjuntura, tinha perdido parte de sua força de
mobilização adquirida nos anos 80, por causa da desindustrialização
e do desemprego industrial imposto pelo novo modelo econômico.
[11] Estamos aqui fazendo uma ana4logia com o Argentinazo, a
revolta popular da Argentina de dezembro de 2001.
[12] Ver Global Economic Prospects,
Banco Mundial 2005.
[13] Segundo Patrick
Camiller, o segundo governo do PSOE (1986-1990): “O clima da segunda administração Gonzalez
foi marcadamente diferente da primeira. A economia espanhola experimentou
rápida aceleração em 1987, chegando a uma taxa anual de crescimento de mais de
5%. Durante três anos de ouro a Espanha experimentou o maior boom da Europa
Ocidental.” Ver Um Mapa da Esquerda na
Europa Ocidental.”, Perry Anderson e Patrick Camiller (org). 1994.
[14] Na França, depois de dois governos do
PS, a taxa oficial de desemprego era de 10, 5%. Um Mapa da Esquerda na Europa
Ocidental.”, Perry Anderson e Patrick Camiller (org). 1994.
[15] Falando sobre o Partido Socialista Fancês , Ross e Jenson afirmam: “Em março de 1993 chegou a hora de pagar a
conta. (...0 Juntos os partidos de esquerda receberam menos de 1/3 dos votos;
os socialistas (quase 40% em 1981) caíram abaixo dos 20%.” Ver “Um
Mapa da Esquerda na Europa Ocidental.”, Perry
Anderson e Patrick Camiller
(org). 1994.
[16] Anteprojeto das
Relações Sindicais: “A Central Sindical deverá
contar com sindicatos reconhecidos em pelo menos 18 Estados da Federação,
contemplando as cinco regiões do País; b) Dentre os 18 (dezoito) Estados da
federação com representantes da Central Sindical, em pelo menos 09 (nove) a
soma dos trabalhadores empregados sindicalizados nos sindicatos pertencentes à
Central Sindical deve ser igual ou superior a 15% da soma dos trabalhadores
empregados em cada um destes Estados; c) A soma dos trabalhadores empregados
sindicalizados nos Sindicatos pertencentes à Central Sindical deve ser igual ou
superior a 22% da soma dos trabalhadores empregados nas bases de representação
de seus sindicatos; d) Em pelo menos 7
(sete) setores econômicos, previstos na legislação, a soma dos trabalhadores
empregados sindicalizados nos sindicatos pertencentes à Central Sindical deve
ser igual ou superior a 15% da soma dos trabalhadores empregados em cada um
desses setores em âmbito nacional”.”
[17] No ano de 2000 a população total do
Brasil era de 169. 872. 856 de habitantes. A PEA (População
Economicamente Ativa) correspondia a 77.467. 473. (sendo
a urbana: 64. 391 285. e a rural: 13.
076. 188). A População Ocupada[17], ou seja, desempenhando
algum tipo de atividade, função,cargo,ofício (não necessariamente
remunerada), em 2000 era de 65.629. 892.
(sendo a urbana: 53. 476. 913 e a rural: 12.152. 979). Já a População
Empregada em empresas e outras unidades legais era de 26. 360.
708 (assalariados) e Proprietários: 6. 146.146. É claro
que este dados devemser relativizados
por conta dos critérios empregados pelo IBGE para a classificação das
atividades, que pressiona para baixo a população ativa e ocupada rural, mas
eles expressam em certa medida a relação diferencial entre a capacidade real de
sindicalização e o perfil desta.
[18] Estas taxas não são produto da ultima
década, mas sim um problema estrutural do sindicalismo brasileiro. Em 1970, o
Brasil ostentava uma taxa de 13% de sindicalização dos trabalhadores urbanos,
contra 70% da Suécia, 55% da Bélgica, e 50% da Dinamarca, os paises com maior
taxa de sindicalização. No entanto, apesar do baixo volume de sindicalização, o
Brasil é um país com um grande grau de enfrentamento entre capital e trabalho.
Entre 1978 e 1984, a média anual de horas de trabalho perdidas por motivo de
greve foi de 15.463, deixando o Brasil
atrás apenas de EUA e Índia, em todo o mundo (ver O Sindicalismo de Estado no
Brasil, de Armando Boito Jr).
[19] “O
setor produtivo vai fortalecer o lobby dentro do Congresso para articular a
tramitação simultânea das reformas sindical e trabalhista em 2006. Intenção
frustrada do patronato com a prioridade da reforma sindical no Fórum Nacional
do Trabalho (FNT), o encontro das duas reformas no legislativo é prioridade
para a Confederação Nacional da
Indústria (CNI).”Setor Produtivo cobra
reformas, Jornal do Brasil, 06/02/2005, p.A5
[20] “MEC: 88% das Universidades são Particulares”,
O Globo, 18/10/2003. p.10
[21] ver Jornal da Seção Sindical dos
Docentes da UFRJ/ANDES-SN, ano IX nº 169, 17 de
janeiro de 2005.
[22] É preciso considerar que existe uma
tendência mundial a se articular o setor científico-tecnológico com o empresarial
(produtivo-financeiro-comercial). As empresas de maneira geral estão
investindo mais em tecnologia e demandando mais pesquisas aplicadas na área de
engenharia, informática, eletrônica e etc.
No Brasil, o investimento em informáticas pelas médias e grandes
empresas cresceu. Enquanto nos anos 1980 o investimento era de 1,3%, em 2001
alcançou 4,3% do total de investimento empresarial, ou seja R$ 47, 4
bilhões. Nos EUA o percentual de
investimento das empresas nesta tecnologia alcança 8%das suas receitas, a maior
taxa do mundo. “Investimentos em
Informática triplicam”. Folha de Sãp Paulo,
30/03/2002, p. B1.
Segundo René A. Dreiffus, dos 5 milhões de
cientistas que trabalhavam em pesquisa no mundo em 1990, somente 160.000 o
faziam na América Latina. Ver A Época das Perplexidades.
[23] Ver “Produtividade
e Emprego no Brasil dos nos 90”, Márcio Pochmann:
www.eco.unicamp.br/artigos/artigo77.htm.
[24] O desemprego nas regiões metropolitanas
em 1998 era o seguinte; Recife (21.6%) Salvador (24.9%) e São Paulo (18,2%). Em
janeiro de 2004, segundo ano do Governo Lula, Recife (23%), Salvador (26%) e
São Paulo (19.1%). Em outubro de 2004 Recife (22%), Salvador (25%) e São Paulo
(17.6%). Ou seja o desemprego aumentou no Governo Lula, e só sofreu uma pequena
redução nos ultimos meses de 2004, e mesmo assim de
maneira localizada. Convênio DIEESE/SEADE, MTE/FAT e convênios regionais. PED - Pesquisa de Emprego e
Desemprego
Elaboração: DIEESE
[25] ver “A Crise do Governismo e a Estratégia da Ação
Direta.” www.unipa.cjb.net
[26] Na “Carta Aberta a Direção do PSOL”,
militantes de base criticam as decisões dos “parlamentares” que não respeitam a
discussão coletiva, e lançam suas candidaturas antes mesmo de “construir o
Partido”. Além disso setores do PSOL defendem a permanência na CUT e na UNE,
acusando o movimento de ruptura com o governismo de “divisionista”. Ver www.midiaindependente.org.
[27] Sem esquecer que dentro do campo
revolucionário existem ainda contradições entre organizações que seguem
orientações teórico-ideológico distintas, como marxistas e bakuninistas,
o que provocará a seu momento também lutas políticas, mas mantendo a unidade na
ação direta popular-proletária.
[28] Como indica Mao
Tse-Tung, no texto “Problema da Guerra Revolucionária
da China”, em que analisa a dinâmica ofensiva-defensiva
na luta revolucionária.
[29] Ver “Sindicatos:
Indicadores Sociais”, IBGE.2002.
[30] Para ver uma discussão um pouco mais
aprofundada sobre a dinâmica luta reivindicativa e revolucionária, e partido/massas, ver o site da unipa: www.unipa.cjb.net, especialmente os textos:
“Resoluções do II Congresso, A Alma e o Corpo e Programa Reivindicativo e
Programa Revolucionário”.
[31] Para consultar estes dados ver “Sindicatos – Indicadores Sociais 2001”,
IBGE. P. 40 a 85.
[32] Ver “Argentina: da Insurreição
Popular ao Capitalismo Normal”, James Petras,
Abril de 2004. http://www.rebelion.org/petras.htm (espanhol).
[33] É preciso levar em consideração que as
reformas, tal como estão sendo implementadas, podem produzir um reformismo
extra-parlamentar e paralelo ao sindicalismo de Estado A aprovação da reforma
sindical pode obrigar os reformistas a terem de lutar na bases e nas oposições sindicais informais para
ampliarem seu poder. Alem disso, não devemos esquecer que a reforma política (do sistema
partidário), pode impossibilitar que muitos grupos reformistas se expressem
dentro da democracia-burguesa, empurrando-os contra sua vontade para ficarem
quase que exclusivamente no movimento de massas. Desta maneira podemos ter o
surgimento de um reformismo que usará de métodos de luta radicais e da ação
direta, para reabrir seu espaço na democracia burguesa. Isto criará uma
situação de grande instabilidade no Brasil, mas a burguesia está subestimando
as contradições de classe que suas reformas irão gerar.
[34] Jornal da Seção Sindical dos Docentes
da UFRJ/ANDES-SN. Ano IX, nº 172. 10 de fevereiro de
2005.
[35] Ver “Programa Reivindicativo ...” in www.unipa.cjb.net