Não Vote
- Lute !!!
Carta
aos Lutadores do Povo
Comunicado Nº 03– União Popular
Anarquista – Rio de Janeiro, Setembro de 2004
"Aos
militantes do movimento sindical, estudantil, operário, e camponês;
A juventude, as mulheres trabalhadoras, ao
povo oprimido, negro e indígena;
Aos sinceros lutadores do povo, em partidos,
sindicatos, cooperativas e demais entidades;
Ao bravo povo brasileiro de forma geral";
O Brasil vive momentos
graves. É preciso fazer uma avaliação profunda e séria das nossas opções
políticas. É preciso pensar com cuidado a direção que estamos escolhendo para
nossas vidas. E desta avaliação sairá as escolhas que podem mudar nossos
destinos, o destino do nosso povo, ou aprofundar a crise, econômica e social.
Enquanto anarquistas
afirmamos: a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.
Estamos aqui, enquanto amigos do povo, para colocar nossas análises, e a partir
de nossa ideologia e teoria revolucionária anarquista, e tentar auxiliar os
lutadores do povo nas escolhas que realizam. Isto porque o destino do povo é o
nosso destino. A vitória do povo é nossa vitória; e a derrota do povo é nossa
derrota.
É com a sinceridade
daqueles que compartilham dores e problemas que nos colocamos publicamente. É
com a humildade daqueles que sabem da limitação de suas forças que lançamos
nossa posição política a público. É devido à responsabilidade revolucionária
que rompemos nossas próprias limitações e falamos sobre questões que ninguém
pode silenciar.
1 – Eleição é Farsa. Agora é Luta !!!
O ano de 2004 é novamente, ano de eleições. Momento da farsa
democrático-burguesa. O povo irá se levar por falsas promessas? Como aconteceu
na eleição de 2002, quando grande parte do movimento popular apoiou Lula? Qual
foi o resultado? A “traição”, como nós da UNIPA havíamos previsto em nossos
documentos públicos.
Mas a questão é mais
complexa. O PT não é somente uma organização de “traidores”. Na verdade, este
elemento é secundário. O PT está simplesmente manifestando agora o produto das
opções históricas que uma parte importante da classe trabalhadora realizou nos
anos 80. E tudo tem a ver com a opção reformista e com a “tática eleitoral”.
Na verdade o sistema
político estatista, vinculado dialeticamente ao sistema econômico capitalista,
produz no campo da “democracia burguesa” as mesmas tendências verificadas na
economia capitalista: monopolização dos recursos, centralização do poder nos
grandes partidos, e dentro dos partidos nas direções (como nas grandes empresas
o poder se concentra na mão dos acionistas e tecnocratas), incentivo a
concorrência e etc, fortalecimento da acumulação de capital e pauperização dos
trabalhadores (expressa no plano político na dependência clientelista para
acesso a recursos públicos). As “eleições” na democracia burguesa, acorrentadas
pelas forças econômicas do capita|ismo e circunscritas pelo próprio caráter da
organização do Estado, produz necessariamente “Governos” que servirão ao
interesses da burguesia e do Imperialismo.
O caso do PT e de Lula
confirma a tese bakuninista de que a “tática eleitoral”, leva os partidos
adeptos dela ao oportunismo e à contra-revolução, pois subordina o proletariado
à política burguesa. A concorrência eleitoral burguesa cerca os partidos de uma
serie de determinantes materiais e simbólicos que os transformam, e produzem
lentamente o que poderíamos chamar de a “lei da petização” – processo
necessário de domesticação, burocratização e emburguesamento progressivo dos
partidos reformistas e organizações atrelados a democracia burguesa.
Por isso, hoje como em
2002 o único caminho sério e viável para o povo é o caminho da luta !!! Não
vote, lute !!! Neste ano é preciso responder as reformas da era Lula com luta e
organização. Não a política burguesa. A única política para o proletariado,
para o povo, deve ser a política da sua própria organização !!! As organizações
da classe trabalhadora hoje estão mais degeneradas que antes. CUT, UNE, MST e
outras, entidades e movimentos reformistas passaram a ser meras “repartições”
do Governo Lula no movimento popular, com a função de amordaça-los. É hora de
criar novas organizações, independentes e classistas pela base. É o momento de
destruir o Governismo no movimento popular!
É preciso reorganizar
a luta e através da luta, reconstruir nossas organizações. Destruir as
entidades governistas. Fazer com que os sindicatos, uniões, entidades
estudantis e etc, defendam os interesses dos trabalhadores frente aos patrões e
ao Estado; não os interesses dos patrões e do Estado frente aos trabalhadores.
A única política para
o proletariado, para o povo, deve ser a política da sua própria organização !!!
Não vote ! Lute !
2 - O programa reivindicativo !!!
O boicote a política
burguesa e o voto nulo não são um meio revolucionário, positivo, de construção.
O voto nulo só faz sentido do ponto de vista revolucionário porque ele expressa
a separação, o boicote a política burguesa. É apenas uma posição negativa, que
serve para livrar as mãos e mentes do proletariado das algemas ideológicas da
burguesia. Mas sua função, restrita e secundária, termina por aí.
É preciso uma posição
positiva, que dê as organizações e lutas do povo uma direção classista e
combativa. O povo deve retomar a direção de suas lutas. Ninguém pode fazer isso
em seu lugar. E para que o povo retome a direção das lutas, é preciso que ele
identifique quais são seus interesses. É preciso um programa de reivindicações.
Um programa que possa atacar os problemas imediatos do povo. Um programa que
possa dar uma voz comum, um espírito comum, as diversas lutas e aspirações de
nosso povo. Mas este programa nenhum governo executará! Somente o povo,
reivindicando na luta, ocupando as ruas, as fábricas e as terras, poderá
implementá-lo.
É preciso unir o campo
e a cidade. Os trabalhadores e desempregados. Juventude e Mulheres. Negros e
Indígenas !!! Este programa, irá aprofundar o abismo entre o povo e a
burguesia, e o Governo Traidor de Lula e do PT. Vamos construir uma alternativa
classista e independente de luta popular !!!
Devemos reivindicar:
1) Direito ao Trabalho; 2) Direito a Terra 3) Direito a Moradia; 4) Direito a
Saúde e Educação. A defesa do direito dos trabalhadores é base para a unidade
na luta de massas para as diferentes forças políticas. Não as reformas do
Governo Lula! Devemos, alem disso ter como bandeiras a construção de novas
ferramentas de organização e luta da classe trabalhadora. Combater a ALCA e as
Reformas do Governo Lula!
3 - Pela Unidade das forças populares frente
ao Governismo e ao Imperialismo !!!
Hoje mais que nunca é
importante fortalecer o campo revolucionário e popular. Os militantes
revolucionários devem acreditar na sua própria capacidade, e mesmo que hoje não
haja um ou mais partidos revolucionários e um movimento de massas capaz de
servir de alternativa nacionalmente para o povo, existe a necessidade e a
possibilidade de desgastar o reformismo e combater o governismo.
É preciso retomar o
trabalho dos pequenos grupos junto as bases, seguindo uma orientação
revolucionária. É preciso fortalecer o campo revolucionário pela unidade na ação
direta de massas. Devemos preparar hoje as condições necessárias para a
formação de um movimento revolucionário amanhã. Devemos multiplicar as ações
independentes do reformismo e governismo, fortalecer o trabalho local nas
fabricas, escolas, bairros de periferias e campo. O trabalho revolucionário
“invisível”, de pequenos grupos é necessário.
É fundamental desgastar o reformismo e fortalecer o campo socialista e
revolucionário.
Mesmo que hoje
sustentar uma posição revolucionária signifique atuar em pequenos grupos, este
trabalho é fundamental na educação política dos militantes do proletariado. É
esta educação (luta insistente, contra todas as adversidades) que forjará os
militantes e quadros do movimento revolucionário de amanhã.
Para isso devemos ter as táticas
corretas e os objetivos adequados ao momento histórico. Devemos lutar para
combater e desgastar o governismo. Ao mesmo tempo não se deixar levar pelas
ilusões do oportunismo, seja ele de direita ou de esquerda. Promover a unidade
nas lutas de massa, mas sempre que unidade favorecer a defesa dos direitos dos
trabalhadores e preservar a liberdade de ação revolucionária. Construir
organizações populares de novo tipo, pela base, nos locais de trabalho, estudo
e moradia. Devemos lutar contra as reformas do governo Lula, pela defesa dos
direitos dos trabalhadores e contra o imperialismo e sua política comercial.
Esta plataforma de
luta, que qualquer militante imbuído do classismo apoiaria, é única capaz de
promover a unidade do campo revolucionário. E neste momento esta unidade é
fundamental para que possamos lançar uma estratégia defensiva eficaz e preparar
no médio prazo uma ofensiva para reconquista dos direitos que estão sendo
perdidos.