Jornal
da União Popular Anarquista – UNIPA Nº 08 #Novembro – 2003
A política do medo e
da matança continua a todo vapor! No Brasil, a velha forma encontrada pelas
classes dominantes de matar os militantes do povo que ousam lutar pelo povo
ainda é a única lei que os governantes, os “políticos”, os patrões e os
oficiais militares obedecem. A covardia se resume a uma fórmula simples: lei do
cão pro povo e “proteção” para a elite dirigente e as classes dominantes.
Esta política de
terror criminaliza os movimentos populares e as lutas combativas do povo, prende seus mais sinceros militantes como se fossem
prisioneiros de guerra e mata, quando preciso, as minorias ativas
revolucionárias. Tudo isso sob o nefasto patrocínio e a vigilância dos países e
organismos imperialistas, junto aos seus administradores mais diretos, ou seja,
junto à burguesia nacional e aos aparelhos militares, por exemplo. Hoje, dezenas de trabalhadores rurais que lutam pela terra estão presos,
como José Rainha, mostrando que a situação pouco ou nada mudou do
neoliberalismo de FHC ao neoliberalismo ainda mais infame do PT. A única medida
tomada pelo governo Lula foi a de atender aos interesses dos grandes
latifundiários liberando o plantio dos transgênicos.
Para manter esta “lei do cão”, como se já não bastassem as
polícias militares treinadas para a guerra, principalmente no Rio de Janeiro,
onde se utilizam armas de impacto genocida para a população moradora das
favelas e bairros pobres, o governo vem usando cada vez mais forças militares
no dito policiamento de “áreas perigosas” e até mesmo criando extensões de
território militarizado pelo país. Fica clara a
permanência da funesta ordem imposta a partir do golpe militar de 1964,
responsável pela tortura e morte de milhares de lutadores do povo: estudantes,
operários, militantes de movimentos sociais e organizações revolucionárias. A
dita transição democrática, ou seja, a anistia que incluiu os torturadores e
assassinos e que manteve a estrutura e as instituições de inteligência e
repressão às lutas populares, só trocando as siglas, não alterou o papel
atribuído ao alto oficialato fardado: servir de juiz contra os explorados e
oprimidos em luta de nosso país e manter a ordem das classes dominantes.
Não bastassem as
operações militares nas ruas, resguardando sempre as áreas ricas e “estratégicas”
do Rio de Janeiro (o que significa sempre defender a propriedade com o sangue
dos pobres e sacramentar o Apartheid na cidade) agora
também estão sendo treinadas as primeiras tropas de policiamento permanente,
como até a mídia burguesa anunciou. O objetivo é aumentar a “eficiência” (que
na última vez teve o saldo de “apenas” um professor morto numa blitz) ao nível
do genocídio anti-povo das manobras da ECO-92, com
trincheiras na rua, ou da funesta “Operação Rio”, com tanques apontados para as
comunidades pobres.
A mesma mídia burguesa
enunciou ainda o uso de aviões militares brasileiros destinados ao misterioso
Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) em conluio com o governo peruano,
contra os combates e as lutas revolucionárias no país vizinho, demonstrando
claramente a política anti-povo destes governos. No
Brasil, o sul do estado do Pará é uma área militarizada desde que se deram os
acirramentos dos conflitos pela terra, desde que o povo passou a se organizar e
lutar diretamente pelos seus direitos. A amazônia, da
mesma forma, também vem sendo militarizada contra os povos em luta. A base de
Alcântara, que iria passar para o controle direto dos EUA, é fruto de uma
varredura da população ali historicamente estabelecida, guerreira desde as
lutas pela libertação do cativeiro, que foi covardemente agredida e expulsa de
suas terras.
Sempre que acionado, o
papel exercido pelos militares no Brasil tem sido o de sangrar aos filhos e
filhas do povo e o de combater a única forma possível de se atingir Dignidade
para quem é explorado e oprimido neste país: articular amplamente as lutas
revolucionárias do campo e da cidade numa verdadeira Frente de Oprimidos que
possibilite construir o Poder Popular frente ao capitalismo. Só a organização
autônoma do povo, mais forte do que o poder estatal do que o poder do capital,
pode barrar o projeto de servidão e morte que reina hoje.
Os parasitas no
poder: a burguesia e o governo exploram o povo
A cada dia que passa intensifica-se a
exploração e o massacre do povo do Estado do Rio de Janeiro. O governo
Rosinha-Garorinho e a elite econômica do Estado
enriquecem mais e mais com o suor e o sangue de homens, mulheres, jovens e
crianças do Rio de Janeiro.
No interior do Estado os problemas
sociais se multiplicam. A miséria, fruto da ganância dos poderosos, se espalha
condenando à submissão e à morte milhões trabalhadores. Os latifundiários,
donos das monoculturas de cana-de-açúcar no Norte Fluminense, especialmente em
Campos, se valem do trabalho escravo (escravidão por dívida), submetendo os
camponeses à condições desumanas para alcançar maiores
lucros.
Em praticamente todas
as cidades as favelas aumentam, pois as imobiliárias e os grileiros transformam
o território em uma mercadoria cada vez mais cara. Sem recursos, o povo pobre
paga com a própria vida o alto preço da moradia: é obrigado a construir suas
casas em áreas desvalorizadas, ou seja, de risco. A conseqüência não poderia
ser outra: os deslizamentos das encostas. Em outra palavras,
a especulação imobiliária matou dezenas de pessoas nas cidades de Teresópolis e
angra dos Reis, só para citar os casos mais recentes.
Na região metropolitana a situação não
é diferente. A população da periferia da Baixada Fluminense, dos subúrbios e
das favelas do município do Rio sofre em condições que pioram a cada dia.
Enquanto a governadora Rosinha gasta milhões de reais em propaganda, nós
estamos morrendo nas filas dos hospitais e os nossos filhos não têm escolas. Quando
tem, não há condições de oferecer ensino de qualidade: faltam professores, os
salários são baixos, faltam materiais didáticos e as vagas não são suficientes
para todos, especialmente na Baixada Fluminense.
Não temos saúde nem educação, mas o
governo do Estado e as prefeituras atendem a todos os interesses da burguesia.
É só ver o exemplo das empresas de ônibus: os valores
das tarifas aumentam indiscriminadamente, mas o direito ao passe livre para
idosos, portadores de deficiencia e estudantes foi comprometido. Além disso, a
futura utilização das catracas eletrônicas irá provocar o aumento do
desemprego, pois a função de cobrador aos poucos tende a acabar.
O desemprego e os baixos salários jogam
nossas famílias na miséria absoluta. Os filhos e filhas do povo passam fome e
mesmo os pais e mães de família que trabalham não ganham o suficiente para
suprir suas necessidades mais básicas. A fome é um problema crônico. Não apenas
a fome total, mas também a fome parcial, que surge por não
haver condições para uma alimentação digna todos os dias do mês, por
causa dos baixos salários. Por isso nossas crianças são jogadas na subnutrição.
Diante de tanta exploração e opressão a
única solução é a organização do povo pobre e trabalhador. Somente com a força
de nossa união numa Frente dos Oprimidos, que una os moradores pobres das
periferias e favelas, os estudantes, os trabalhadores, os camponeses, ou seja,
todos os que sofrem com a opressão promovida pela burguesia e pelos
governantes, é possível a construção do Poder Popular. Assim poderemos fazer
valer a nossa vontade, destruindo a dominação e estabelecimento a justiça e a
liberdade.
Com os oprimidos, e contra os opressores!
Avante o Poder Popular!!!