Jornal
da União Popular Anarquista - UNIPANº 06 # Setembro – 2003
A Luta Popular Contra
as Reformas do Governo Lula
Ao contrário das promessas de
campanha, o PT e o Governo Lula, assim como o governo FHC e a gangue do PSDB/PFL,
estão tentando de todas maneiras cortar as conquistas e direitos populares e
dos trabalhadores para agradar a sede de lucro dos patrões, brasileiros e
estrangeiros, não pensando duas vezes antes de usar a força da polícia para
impor a sua ordem regada a sangue dos trabalhadores. A luta dos servidores
públicos federais, da população pobre das cidades e sem-teto e dos estudantes
demonstra que, apesar da ofensiva liberal coordenada pelo Governo e pelos seus
mais hipócritas representantes, José Dirceu, José Genuíno e companhia.
Nos meses de julho e agosto, vimos
como são sujas as manobras feitas dentro da Democracia Burguesa para garantir
os interesses e o lucro de empresários e latifundiários gananciosos a
assassinos, quando a reforma da previdência
foi aprovada na “calada da noite”. O protesto dos trabalhadores, que existiu e
só foi barrado pela violência da PM, e depois com a Marcha em Brasília, a
massa, aquela que se mobiliza sinceramente por mudanças (incluindo ai base dos
partidos e sindicatos acreditaram que Lula representaria mudanças positivas
para a população) deu exemplo de como se faz para barrar as mudanças: subiu a
rampa do planalto e deixou a marca da sua revolta: algumas dezenas de janelas
quebradas, fazendo em cacos a hipocrisia e o fingimento do Governo Lula. A
mídia escandalizada chamou os manifestantes de ”vândalos”.
Na cidade de Salvador, Bahia, assim
como Rio de Janeiro, as empresas de ônibus avançam na sua sede desenfreada de
dinheiro e castigam a população com aumentos absurdos do preço das passagens.
Os estudantes foram às ruas e enfrentam os empresários. Fecharam ruas, a
população de Salvador, sensível a luta porque esta é também sua, que tem de
pegar e pagar ônibus todos os dias. A luta contra a “máfia dos transportes” é nacional,
e popular, não somente dos estudantes. Mesmo com as “direções” de entidades que
seguem a cartilha do oportunismo fazendo acordo com a prefeitura, os estudantes
mantiveram sua presença na rua, e firmaram pé na defesa da redução do preço das
passagens. Um estudante morreu no RJ atropelado, outro morreu em Salvador.
Acidentes? Não. Eles foram atropelados pelo “capitalismo”, existem
responsáveis, os empresários de ônibus que valorizam mais o dinheiro que a vida
de um jovem. Os sem-teto em São Bernardo
do Campo, SP, e Nova Iguaçu, e de maneira geral, estão sofrendo na pele a
perseguição movida pelo governo, que chama de criminosos a todos que reclamam
da sua política neoliberal. Sofrem agressões físicas e morais.
São criminosos os estudantes que morrem,
os servidores que trabalham a vida toda e correm o risco de não ter direito à
aposentadoria digna e o povo que não tem onde morar? NÃO! Criminosa é a
política do Governo Lula, o assassinato de inocentes e a miséria. Este é o jogo
sujo da elite, o da criminalização dos movimentos populares. O que é a criminalização? É quando um carrasco a
serviço burguesia mata para defender o
lucro e o dinheiro dos ricos e diz que matou o outro porque este era bandido. É
o que a polícia faz na favela. Mata trabalhador e diz que matou bandido.
Convocamos todos os trabalhadores,
do campo e da cidade, estudantes e militantes revolucionários, a romperem com a
Democracia Burguesa, com o Governo Lula e a ilusão do reformismo, fortalecendo
as mobilizações de massa, mantendo a autonomia das organizações e movimentos
populares, começando a somar para a formação de uma Frente dos Oprimidos,
que articulará as lutas populares a partir da base, para defender direitos e
avançar nas conquistas.
Anarquismo é Luta!!!
Todo poder para o Povo
!!!
Rosinha, Garotinho e César Maia: Tolerância Zero contra o povo
Eis que novamente a classe dominante
ultra-reacionária do Rio de Janeiro encontra sua expressão ideal na camarilha
que se constituiu em elite dirigente do governo estadual e municipal. Desde
Pereira Passos, o prefeito do “bota abaixo” que destruiu a moradia da população
operária no centro da cidade do Rio, passando por Carlos Lacerda e sua política
de remoção de favelas, o modelo burguês de ordenamento urbano significa truculência,
arbitrariedade e segregação contra os setores mais empobrecidos e fragilizados
da população: é a covardia institucionalizada.
Há alguns meses, foi
firmado um convênio entre a gangue de Rosinha e Garotinho que ocupa o governo do
Estado, e o prefeito fascista César Maia, com o objetivo de implementar um
programa de “Tolerância Zero” contra os trabalhadores ambulantes, a população
de rua e demais grupos “incômodos”, especialmente na Zona Sul e no Centro do
Rio de Janeiro. A prática rotineira de brutalidade da Guarda Municipal de César
Maia, sempre voltada contra os mais pobres, se viu respaldada pelo reforço
ostensivo dos assassinos da GETAM (Grupamento Especial Tático Móvel) da PM de
Garotinho, este significativo aparato repressivo intensificou a perseguição aos
trabalhadores ambulantes e à população de rua, adultos e crianças, sendo sempre
aplaudidos pela classe dominante em suas operações.
O famigerado programa “Zona Sul Legal” que
está “limpando” as praias e bairros burgueses da cidade de todo sinal de
pobreza, constitui-se abertamente em uma política segregacionista (que bota
pobres para morar longe do centro). Em vários pontos tradicionais do comércio
ambulante, as operações conjuntas da Guarda Municipal e da PM – esta, sempre
portando e ostentando seus fuzis automáticos contra o povo desarmado –
intimidam, agridem e confiscam mercadorias e instrumentos de trabalho.
Presenciamos o avanço prepotente e confiante da classe dominante por sobre a
massa popular desorganizada e desmobilizada.
Frente ao aumento
incessante do desemprego, da miséria e da fome, o inimigo de classe oferece
repressão. Frente ao número cada vez mais alarmante de famílias inteiras
vivendo nas ruas, a classe dominante e suas elites dirigentes do governo
municipal e estadual do Rio de Janeiro não investem o mínimo em uma política de
habitação para as massas trabalhadoras. A atual situação em que vive a maioria
da população da região metropolitana do Rio, traduz-se num quadro aterrador de
desespero e barbárie, enquanto os mais diversos projetos empresariais prosperam
sensivelmente. Os diversos partidos da esquerda colaboracionista (que ajudam o
a elite a fazer sua repressão, assim como o trabalhador que fura greve dos
trabalhadores ajuda o patrão) de forma muito coerente, calam-se frente à
brutalidade e às arbitrariedades anti-populares das elites dirigentes
ultra-reacionárias, ignorando solenemente o sofrimento e a dor de nosso povo.
Diante da situação
apresentada, é urgente fortalecer e fazer avançar uma alternativa de
organização popular e classista que possa aglutinar as massas que hoje se
encontram tuteladas (manipuladas e controladas) pelos políticos, e em razão disso desmoralizadas e
desorientadas.
É para ontem a necessidade de impulsionar a articulação de uma
ampla Frente dos Oprimidos desde os bairros, as favelas, os locais de trabalho
e estudo, onde se expresse uma orientação definidamente classista e
revolucionária, pois esta é a única maneira de barrar os avanços do inimigo de
classe e marchar no sentido do resgate de nossa dignidade e no sentido da
conquista da justiça e da liberdade. Somente nossa luta e organização, enquanto
povo e classe, é que pode nos garantir nossos direitos e nossas conquistas na
construção do Poder Popular.
Pela Unidade do Movimento
Popular !!!
Pela Frente dos
Oprimidos !!!