Causa do Povo
Nº 20
# julho - 2005
O Fim da II Guerra Mundial: a Democracia venceu o Totalitarismo?
Em 8 de maio de 2005 comemorou-se os 60 anos da vitória dos aliados durante a
Segunda Guerra Mundial, com a rendição há 60 anos atrás, no ano de 1945, da
Alemanha nazista. Um dos conflitos mais trágicos da história da humanidade,
nela estiveram envolvidos quase todos os países da Europa, e ainda Estados
Unidos, Japão, Canadá, e até o Brasil. A guerra deixou cinqüenta milhões de
mortos só na Europa, e grande destruição em todo
território europeu, principalmente na Alemanha e no território da antiga União
Soviética, sem contar os efeitos das bombas atômicas, lançadas numa atitude
bárbara e assassina dos Estados Unidos sobre as duas cidades japonesas de Hiroshima
e Nagasaky.
Até mesmo o Brasil
sentiu as conseqüências da segunda guerra, das quais a principal foi a queda da ditadura de Vargas. Ficava difícil, a partir
daquele momento, sustentar a existência de uma ditadura que se aliava ao bloco
de países defensores da “democracia burguesa”. Democracia foi sem dúvida a palavra chave nos discursos dos aliados capitaneados pelos
EUA, como continua sendo, hoje, nas justificativas do esforço de guerra contra
países como Afeganistão e Iraque.
Os sessenta anos da
segunda guerra são lembrados como a vitória da democracia sobre o
totalitarismo, as ditaduras fascistas e nazista.
Regimes sem dúvida execráveis, como também eram execráveis as pretensões
expansionistas e o racismo de Hitler responsável pelo extermínio brutal de
milhares de judeus, e entre estes, preferencialmente os socialistas, os pobres,
homossexuais, portadores de deficiência física e mental. Mas, enquanto os meios
de comunicação lembram algumas coisas, tentam deixar outras no esquecimento.
Prefere-se não se falar das causas da segunda guerra, ligadas à crise econômica
pela qual passava o mundo capitalista derivada da competição desenfreada entre
os grandes empresários. Os EUA, que buscavam se reerguer da crise de 1929 – uma
crise de superprodução e subconsumo – muitos produtos para pouco poder
aquisitivo, fechavam as portas para relações comerciais com a Europa, que ainda
sob os efeitos da primeira guerra mundial, não conseguia se reerguer.
É nesse cenário de caos
europeu, desemprego, degradação das condições de vida, que ascendem ao poder os
ditadores nazi-fascistas, apoiados no grande capital nacional. Não encontraram
nenhuma objeção, a princípio, de EUA, Inglaterra, França. O que não se fala é
que Hitler, Franco, Mussolini e outros ditadores eram interessantes até certo
ponto, aos países capitalistas, porque davam combate ao socialismo que vinha
ganhando terreno entre o movimento operário europeu, inspirado no exemplo da
revolução russa e na União Soviética. País, este, responsável pela maior parte
das vitórias dos aliados, nas negociações após a guerra, incorpora territórios
do Leste europeu, os quais dominará com mão-de-ferro.
O que não se fala,
além do mais, é que não há oposição fundamental entre a atual política norte
americana e a política nazista. Isto por dois motivos: diversos oficiais e
personalidades ao nazismo, fizeram acordos com os aliados, e se transfiram
clandestinamente para os EUA, onde auxiliaram na formação dos órgãos de
repressão, com suas técnicas. Além disso, o nazismo se plasmou com as
ideologias racistas da klu klux
klan, e ainda com igrejas fundamentalistas da direita
e organizações como a irmandade ariana. Todos estes grupos, nazistas, apoiaram
a eleição de George Bush.Um expansionismo movido por guerras brutais sob o
pretexto, novamente de levar a democracia para os povos dominados por
ditadores. Não é preciso ser muito atento para estar a par das atrocidades que
vem sendo cometidas pelas tropas americanas no Iraque.
Fala-se menos ainda do
verdadeiro significado dessa democracia para os povos ocidentais. Porque os EUA
não se interessam em zelar pela democracia em diversos países da África em
situação de guerras civis devastadoras? De que forma a “democracia burguesa”
tem beneficiado os milhões de trabalhadores (as) brasileiros (as) que vivem a
baixo da linha da pobreza? E o que dizer do comprovado apoio ao golpe de
direita de 1964 no Brasil que instalou a ditadura mais sangrenta de nossa
história? Apoio que não se restringiu aos militares brasileiros, e sim foi dado
a todas as ditaduras latino-americanas. Mais que comemorar o fim da brutalidade
que foram o nazismo, o fascismo e a segunda guerra em si, é preciso aproveitar
o momento para olharmos para as guerras e ditaduras de nossos dias.
É preciso ver que a
vitória sobre o nazismo, não significou a vitória da “democracia” sobre a
ditadura. A violência imperialista ecolonial, com
suas práticas, seus massacres e perseguições não ficam devendo nada em
atrocidades ao nazismo. Por isso, a luta que interessa ao proletariado não é a
luta entre democracia X ditadura burguesa, mas sim entre capitalismo e
socialismo. A única democracia para o proletariado é a democracia socialista.
Classe trabalhadora: nem um passo atrás!!! Viva a revolução socialista!!!
O 1º de maio diante do governismo e do
reformismo
O governo Lula, com a
sua política de cooptação de dirigentes de diversos movimentos populares, tomou de assalto boa parte da mobilização do proletariado
brasileiro, freando a luta em diversas entidades em todo o país. O ato de
primeiro de maio deste ano pode ser considerado um bom exemplo disso. De um
lado os atos com shows e sorteios de brindes patrocinados pelas centrais
sindicais pelegas e com apoio do governo, do outro atos
com vulto bem menor, mas que demonstraram ter um caráter classista.
Em várias partes do
país, como em São Paulo, manifestações anti-reformistas e anti-governistas
contrárias às reformas liberais do governo do PT foram realizadas, honrando as
manifestações históricas pelo Dia do Trabalhador. No Rio de Janeiro porém, contrariando as principais orientações do Encontro
Nacional da CONLUTAS, realizado em 30 de janeiro em Porto Alegre, A coordenação
estadual articulou-se com o Fórum Fluminense de Lutas (FFL), instância que reúne
diversas forças da esquerda reformista no Rio. Abrindo mão de ser uma ato
classista, anti-imperialista e antigovernista,
o ato do 1º de maio no Rio apresentou-se apenas como um ato contra a reforma
sindical, dando a falsa impressão de que as demais reformas do PT são medidas
completamente isoladas. Como se estas não fizessem parte de um mesmo programa.
Para piorar, o ato do dia do trabalhador deixou de ser no 1º de maio para ser
realizado no dia 29 de abril, sexta-feira.
O argumento da
coordenação da CONLUTAS e do FFL foi de que por não ser dia de trabalho, um ato
no domingo seria muito esvaziado. Nessa lógica os trabalhadores jamais poderão
fazer ato no 1º de maio, já que este é feriado nacional! Na “reunião de
organização” do ato, organizações revolucionárias como a UNIPA, CPR e OMP se
manifestaram contra o caráter, a data e a composição dos grupos participantes
do ato. Por se tratar de um acordo anterior, feito entre a coordenação da
CONLUTAS-RJ e o FFL, o caráter do ato não foi colocado em discussão, sendo
empurrado de cima para baixo em todos os presentes. Ou seja, buscou-se falsa
unidade com o governismo, abrindo mão da verdadeira
unidade, de caráter classista e de luta, com os militantes revolucionários. A
manifestação se deu como uma passeata com concentração na Candelária e indo até
a Cinelândia, com a presença, quase na sua
totalidade, de militantes organizados. Ou seja, praticamente sem participação
de base, não adiantando a mudança do dia nem o recuo no caráter do ato.
O PSTU, setor
majoritário do CONLUTAS, utilizou-se de um falso discurso de unidade para
garantir a participação de setores governistas no ato de 1º de maio, como o PC
do B que se declarava apenas ser contra à reforma
sindical. Não ser contrário às reformas previdenciária, universitária e
trabalhista torna o combate a reforma sindical uma
postura demagoga, já que todas essas fazem parte de um conjunto de medidas de
uma mesma política liberal. É morder e assoprar, ou seja, é criticar
momentaneamente uma medida do governo como se esta fosse isolada das demais. É
estar dentro do governo, compondo e votando com o governo, dentro do congresso
inclusive, e posar de oposição para a base, disfarçando o seu oportunismo.
Menos de 15 dias depois do 1O. de maio, a Corrente
Sindical Classista (CSC) e o PC do B saíram da Frente Nacional contra a Reforma
Sindical, se posicionando também a favor dessa reforma, a favor daquilo que
alguns militantes da CONLUTAS afirmavam ser o elemento da unidade para o 1O. de maio.
A CONLUTAS não deixa
de ser opção de luta no Rio de Janeiro por causa disso. Muito
menos uma opção nacional. Mas a necessidade da participação e influência
de setores revolucionários na CONLUTAS se faz cada vez mais forte assim como
sua construção pela base, algo muito diferente do que vem acontecendo.
Exemplo disso foi o
que aconteceu na assembléia dos professores da rede estadual do SEPE. Nela, uma
semana antes do 1O. de maio, quando foi proposto por
um militante do PSTU que os trabalhadores da rede estadual de ensino
participassem de um ato alternativo ao da CUT, contra as reformas
neoliberais do governo Lula. A proposta foi aprovada, demonstrando a
combatividade da base desse sindicato presente à assembléia. Mas logo o PSTU,
somando com o restante da executiva do CONLUTAS preferiu abrir mão de construir
um ato verdadeiramente classista como queria a base do EPE para compor com um
dos mais pelegos setores do movimento sindical.
O caminho deve ser de
rompimento cada vez maior com o reformismo enquanto via de mudança social. Isso
significa que enquanto entidades e movimentos populares estiverem preocupados
com as conveniências da democracia burguesa como o processo eleitoral, reprimir a base e abrir mão de bandeiras históricas do povo
estaremos extremamente limitados na nossa luta. Estaremos caminhando
para o fracasso!
Por um 1º de maio classista e de luta!