Causa do Povo

Nº 18 # Abril- 2005

 

Bolívia: Revolta Revolucionária ou Dominação Imperialista

 

         O levantamento popular entre 10-17 de outubro de 2003 na Bolívia foi mais uma demonstração de força do povo da Bolívia contra o imperialismo, as elites e a democracia burguesa, a tirania.

 Por outro lado, também mostrou a debilidade das organizações envolvidas em dar um passo além das lutas reivindicativas. Com todas as diferenças que há entre o “argentinasso” e a as revoltas bolivianas a falta de um projeto revolucionário de poder popular é tão grande como as intensas mobilizações em ambos os casos.

Assim como na Argentina quando em 2001 o movimento piquetero liderou a derrubada do Presidente De La Rua mas não conseguiu tirar o poder da mão da classe dominante, na Bolívia depuseram o presidente mas não tiraram o poder da classe dominante

Na Argentina, o movimento se dividiu entre os que apóiam e os que não apóiam o atual governo argentino.

Toda a mobilização de 2001, as assembléias de bairros e organizações dos trabalhadores tiveram vida efêmera. Salvo uma ou outra ocupação em bairros da capital.

O apoio de parte do Movimento Piquetero e de organizações como as Mães da Praça de Maio a Kichner liquidaram em grande parte as Assembléias de Bairros.   

 

A rebelião popular organizada pela Central Operária Boliviana(COB), dirigida por Jaime Solaris, pela Central Sindical Única dos Trabalhadores Campesino da Bolívia (CSUTCB), dirigida por Filipe Quispe, líder do movimento cocaleiro e as Juntas Vesinales de El Alto, depuseram o presidente Sanchez de Lozada na luta contra a privatização do Gás e as péssimas condições de vida do povo boliviano imposta pela elite.

Enquanto camponeses e operários bloqueavam as estradas e enfrentavam as forças policiais do Estado, o MAS (Movimento Ao Socialismo) de Evo Morales, que encontrava-se na Europa, calava-se diante da revolta popular. Apenas no final do levantamento, depois de mais de 80 morte, que o MAS decidiu sair de seu silêncio e declarar apoio.

         Preocupado com as Eleições, Morales firmou um pacto com Carlos Mesa que assumiu no lugar de Lozada. A capitulação fez com que Morales fosse expulsou da COB, mas não impediu uma certa desmobilização do movimento de massas.

         Morales faz parte de uma crescente esquerda reformista e coloboracionista com imperialismo norte americano. Assim como Lula, Kichner, Vasquez e Gutierrez que mantém os acordos com imperialismo e freiam a luta de classes com seus interesses eleitoreiros, Morales é mais um possível artífice do imperialismo e das elites bolivianas.  Desde de 2003 o MAS vem colaborando com Mesa.

A COB e o movimento Cocaleiro de Quispe, apesar da capitulação do MAS, tem uma  grande base popular mas não se acham suficientemente preparados para iniciar um processo revolucionário. A debilidade política da rebelião popular na Bolívia se mostra clara. As organizações não conseguiram dar um passo além das lutas reivindicativas, transformar a Revolta Popular Reivindicativa, pela água e pelo Gás que depuseram o presidente em Revolta Popular Revolucionária.

Apesar da queda de Lozada e das assembléias de bairro, a democracia de base, construída pelo trabalhadores, as organizações não se preparam para destruição do poder de estado.

Apesar do colaboracionismo de parte da esquerda, como o MAS, as mobilizações lideradas pela COB e pelo Movimento Cocaleiro, continuam pelo país.

Apesar desse dissenso no movimento, a luta de classe na Bolívia continua intensa. A luta pelo Gás e pela Água continua, em El Alto As Juntas Vesinales expulsou a Multinacional Águas de Illimani e vários bloqueios de estrada e manifestações foram feitos.

 Em março desse ano, o presidente Carlos Mesa ameaçou renunciar, um artifício político para mobilizar e conquistar mais apoio junto a elite e a classe média para as próximas eleições.

Enquanto Mesa fazia esse movimento, La Paz estava cercada pelos camponeses e operários. Morales se manteve apenas crítico ao presidente, tentando se aproximar de Solaris, da COB e Quispe, que nega acordo com o MAS. 

As atuais mobilizações na Bolívia vem se concentrando nas questões reivindicativas e obtendo importantes vitórias, mas é preciso dar uma passo além da luta contra a privatização do Gás e da Água.

O povo que hoje luta, resiste e morre  é que deve assumir o poder na Bolívia. Assumindo controle da Economia e do gás e também construindo o poder popular. A revolta popular revolucionária é o único caminho para a libertação efetiva dos camponeses e operários da Bolívia, já que estamos vendo que seja a classe dominante local ou esquerda eleitoreira, como Kichner, Gutierrez, Lula ou Lagos, capitulam diante doa dominação imperialista. É preciso tirar o poder das mãos das elites e do colaboracionista e colocar na mão do povo. É necessário rechaçar a democracia burguesa e não cair no erro do “argentinasso” de 2001.  

 

“Que se Vayan Todos”