Causa
do Povo
Nº 17#
março – 2005
Resistência Popular Iraquiana X Guerra
Imperialista
A guerra de agressão e conquista movida pelo
EUA contra o Iraque, que foi seguida pela ocupação militar e re-colonização
daquele país, completa dois anos em março de 2005. A resistência iraquiana se
faz cada dia mais intensa, e ao contrário dos dois
primeiros meses da invasão, quando se comemorava a “rápida vitória” contra as
forças de Saddam Husseim, hoje o Exército americano e
demais forças imperialistas se defrontam com uma eficaz resistência
guerrilheira, que ameaça a estabilidade política e a ação do imperialismo.
A guerra de agressão iniciada em março e
“terminada” em 1 de maio de 2003, segundo J. Bush, foi vencida pelas forças de
ocupação lideradas pelos EUA por dois fatores:
1)a colaboração direta entre a CIA e os
oficiais de alto escalão do Exército Iraquiano, que entregaram o país para a
ocupação sem resistência. A CIA através das missões de inspeção da ONU, conseguiu produzir trabalho de inteligência militar no
país que facilitou esta manobra; 2) aos dez anos de deterioração
político-social, devido ao embargo econômico da ONU e dos EUA, que matou mais
de 1 milhão de pessoas desde 1991.
Desta maneira, houve uma rápida capitulação
dos militares do regime Saddam Husseim, e de toda a
elite de burocratas do BAAS , o partido de Saddam.
Vale lembrar que foram todos apoiados na década de 1980 pelos EUA, para
combater o Irã, e logo tinham uma história de colaboração com o imperialismo
americano,.
A capitulação desta burguesia do petróleo
iraquiana diante dos EUA já era previsível. Este colaboracionismo com os
colonialistas foi o que decidiu a sorte e o sucesso da invasão do Iraque.
A
casta burocrática da ditadura Saddam rapidamente se rendeu aos interesses do
Imperialismo. Sacrificou o povo iraquiano em prol dos seus próprios interesses
de classe dominante de país de capitalismo periférico. Isto quer dizer, a
burguesia iraquiana prefere salvar deus petrodólares,
e não os sacrificaria numa guerra de resistência que não lhe interessava nem
política, nem economicamente.
Isto porque somente uma estratégia seria
viável numa situação de Guerra contra um inimigo mais forte e bem armado como
os EUA: a guerra popular, o povo em armas. E o povo em
armas ameaça os interesses desta canalha burocrática e burguesa que foi levada
à colaboração com o colonialismo americano. Isso porque com armas na mão, nada
impediria que o povo voltasse as armas não somente
contra os colonizadores mas também contra seus opressores “internos”.
A data de 1 de maio
de 2003, dia internacional dos trabalhadores, marca não o fim da resistência do
Estado iraquiano, que não existiu, mas sim o início da resistência do povo
iraquiano.
A resistência iraquiana é hoje conduzida por
milhares de pequenos grupos de guerrilha que movem ataques contra a tropas
invasoras, impondo sérios golpes militares aos EUA e a
ONU pelo povo trabalhador. São mais de 1.500 mortos em combate, cerca de 25.000
soldados feridos e mais de 35.000 afetados por graves “doenças mentais”, e
ainda entre outubro de 2003 e março de 2004, foram mil deserções no exército
americano.
Depois da ocupação militar, com uma guerra que
matou mais de 250 mil iraquianos em 2 anos, entre 2003-2005, os EUA inventaram
um “Governo Provisório” e “Eleições Democrático-Burguesas”, para dar uma
aparência de legitimidade ao regime neo-colonial. Mais
uma vez os colaboracionistas se apresentaram: dos xiitas Alí
Al Sistani, ao Partido Comunista, vários foram ao
governo e às eleições.
Mas a resistência do povo iraquiano continua.
Atacaram os postos de votação e boicotaram o processo. Existe uma guerra
revolucionária em curso, que tenta liquidar o regime democrático-burguês
colonial imposto pelos EUA com a colaboração de facções político
religiosas iraquianas.
É
importante que todo o proletariado observe o exemplo do povo iraquiano, pois
ele está ensinando mais uma vez que é possível vencer o imperialismo. A questão
é aprender com a atual situação, que está colocando novas possibilidades a esse
povo, possibilidades que não existiam antes.
A atual guerra de libertação nacional
pretende liquidar o regime político dos colonizadores e expulsar os
invasores, estabelecendo a autonomia nacional. É preciso
entretanto transformar a guerra de libertação nacional em guerra
revolucionária socialista. Simultaneamente a expulsão do Imperialismo,
deve-se colocar o problema da derrubada da classe dominante local e dos demais
colaboracionistas, que entregaram o país e sacrificam quase um milhão e meio de
vidas em 10 anos de subserviência e colaboração com o imperialismo.
O
povo em armas, que hoje luta, resiste e morre, é que deve assumir o poder no
Iraque. Assumindo também o controle da economia e do petróleo. A guerra
revolucionária socialista é o único caminho para a libertação efetiva
do Iraque, inclusive nacional, já que estamos vendo que a classe dominante
local, seja fundamentalista (como os xiitas), seja mordernizadora
e ocidentalista, como o Bass
de Saddam, capitulam vergonhosamente diante do Imperialismo, agindo como parte
necessária e fundamental da dominação colonial. É preciso fortalecer a
resistência e o apoio internacional.
Somos Patriotas de
todas as Pátrias Oprimidas
!!! Viva a resistência e
guerra popular prolongada iraquiana !!!
O governismo no
Fórum Social Mundial e as alternativas de luta no Brasil de hoje
Mais uma edição do Fórum Social Mundial
(FSM) em Porto Alegre - RS - e mais uma vez o reformismo vem tentando enganar a
esquerda para defender o capitalismo. Nesse 5o FSM, muitos por
ingenuidade e outros por cinismo, estampavam no peito os símbolos do Fórum e
seu slogan “Um outro mundo é possível”. Sempre falando em “pluralidades” e “diversidades”. Em contrapartida, o FSM continuava
a negar firmemente a possibilidade de oposição ao capitalismo e,
conseqüentemente, ao Estado que é o seu instrumento mais fundamental.
Muito pelo contrário, as marcas
registradas desse Fórum foram exatamente as mobilizações dos “Chavistas” (defensores de um governo nacionalista de
caráter autenticamente burguês e puramente reformista), que marcaram presença
superlotando um ginásio esportivo; e dos governistas que, além de espalharem
pinturas enormes nos muros com “100% LULA”, encheram também um ginásio na
intenção de abafar as vaias dadas ao presidente da república - fato elogiado
pelo presidente nacional do PT, José Genuíno.
Desde sua primeira edição, o FSM tem
sido um instrumento para promoção de partidos políticos deliberadamente reformistas,
que insistem em se confundir com militantes compromissados com a construção de
uma sociedade socialista. Ao mesmo tempo em que abertamente se opunha e em
alguns casos até proibia a participação de organizações revolucionárias que
pegam em armas contra o capitalismo
Com o discurso de estar ao lado dos
trabalhadores, as organizações que construíram e sustentam o FSM até hoje
caminham cada vez mais na direção contrária do nosso povo oprimido, pregando o
reformismo e colaborando com a burguesia.
O PT é um exemplo disso. Esse partido
que se constituiu junto a importantes lutas operárias, ano após ano construiu e
aprimorou formas de traição tão diversas quanto às formas de luta e as demandas
por justiça dos trabalhadores.
Essa união de reformismo e colaboracionismo
foi o ponto de partida para a construção do primeiro FSM em 2001, e pouco mais
de um ano depois, passando pelo segundo fórum, o PT conseguiu seu objetivo
principal: a eleição do presidente Lula. Depois da “conquista” da presidência
pelo PT, o governismo foi adicionado à receita
do Fórum Social Mundial.
Paralelo ao FSM e na contramão do governismo, aconteceu o II Encontro Nacional da CONLUTE
(Coordenação Nacional da Luta Estudantil) e o I Encontro Nacional da CONLUTAS
(Coordenação Nacional de Lutas); dois encontros que se orientaram pelo
enfrentamento ao governismo, que está presente como
um câncer nas entidades estudantis e sindicais no Brasil hoje. Além disso,
esses encontros se orientaram pela necessidade de construir um campo de
esquerda que leve a frente a reivindicação indignada
dos oprimidos de extinguir definitivamente a estrutura de exploração base do
sistema capitalista/estatista.
Por partirem das mobilizações de massa,
com a intenção de construírem uma luta que reúna diversos setores da população
oprimida contra o massacre da classe trabalhadora, liderado hoje pelo PT, essas
duas coordenações podem cumprir o papel de organizar os estudantes e
trabalhadores numa frente capaz de se opor ao poder dos opressores.
Organizar os oprimidos contra os
opressores é uma tarefa necessária para o avanço da luta para derrotar os
governistas e o reformismo. Mas o sucesso dessas coordenações de luta se dará
na efetiva defesa dos interesses dos trabalhadores frente às reformas do
governo LULA e na negação do reformismo.