Causa do Povo
Nº 16#
Janeiro – 2005
Trabalhadores: armar as defesas em 2005!
O novo ano
que se inicia não promete boas perspectivas para os trabalhadores e o conjunto
das massas populares de nosso país. Ao contrário, novos ataques, cada vez mais
graves, são anunciados e preparados pela Classe Dominante e seus lacaios no
governo federal. No mesmo momento em que golpeiam, lançam cortinas de fumaça
sobre o povo, falando de auto-estima, alardeando os fraudados “bons números” da
economia, e acabando, por decreto e no papel, com a fome no Brasil.
Desde o início da segunda metade de
2004, algumas mudanças e rearranjos promovidos no alto escalão do governo Lula,
vem deixando claro o rumo a ser trilhado em 2005: o aprofundamento da pilhagem
do povo brasileiro por parte do grande capital imperialista e do capital
nacional dependente.
Sistematicamente, uma
série de membros do governo que não estavam plenamente sintonizados com os
interesses do grande capital, foram sendo deslocados. No BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o “nacionalista” Carlos Lessa
é afastado da presidência por suas críticas aos altos juros da economia,
críticas que muito desagradavam aos banqueiros. Mais recentemente toda a
direção da Embrapa, ligada à chamada “esquerda do PT” e ao modelo de
desenvolvimento da agricultura familiar, foi afastada, abrindo espaço para os
mercenários do agro-negócio latifundiário e exportador.
Ao lado destas mudanças na composição
do governo (que incluem a preparação de uma reforma ministerial que procura
satisfazer as mínimas queixas do empresariado) a política do Palácio do
Planalto é clara: ataque aos trabalhadores, aumento dos lucros empresariais,
consolidação do modelo exportador. Neste sentido é que se deve entender o
aumento da dívida pública, a elevação das taxas de juros, o corte nos
investimentos sociais, as Parcerias Público-Privadas
(PPP´s), e todas as demais
medidas que vem sendo implementadas pelo governo.
O grande capital, através do governo
Lula, avança na conversão da economia brasileira ao modelo das “plataformas de
exportação”. Este modelo impõe que toda a sociedade deve estar subordinada ao
interesses da produção para a exportação. Em um modelo como este, no qual o
lucro dos empresários se desliga da capacidade de compra interna dos
trabalhadores, o principal objetivo é reduzir os custos na produção, garantir
preços baixos, lucros altos e grandes vendas no exterior. Reduzir os custos da
produção é, para os empresários, em primeiro lugar, arrochar salários, cortar
benefícios e desmantelar direitos trabalhistas. A economia cresce mas o povo empobrece!
Neste
ano que se inicia, as multinacionais e o grande capital nacional (banqueiros,
industriais e latifundiários), já têm as suas armas engatilhadas para um ataque
fulminante contra as massas trabalhadoras e em defesa de seus privilégios: a
Reforma Trabalhista e Sindical. O governo Lula, serviçal dos inimigos do povo,
já declarou que esta é sua prioridade. A Reforma Sindical,
que pretende garantir o poder da burocracia da CUT e Força Sindical contra os
trabalhadores de base, deve ser a ante-sala da Reforma Trabalhista que
é, nada menos, que a demolição dos direitos conquistados pelos trabalhadores
com muita luta durante décadas.
A
imposição da Reforma Trabalhista, assim como foi a Reforma da Previdência, e
está sendo a Reforma Universitária, é um profundo ataque contra o povo que
significa um retrocesso de um século no que diz respeito aos direitos
populares. O governo Lula e o empresariado se mobilizam para uma reorganização
da economia e da sociedade brasileira que tem um alcance de longo prazo na
garantia e aumento dos privilégios do grande capital e do Imperialismo, e ao mesmo
tempo, no esmagamento das condições de
vida do povo.
As
massas populares e a classe trabalhadora organizada precisam rapidamente ser postas
em posição de combate em defesa de sua dignidade e de sua sobrevivência. Não há
tempo a perder, e uma derrota dos trabalhadores neste ano, terá conseqüências
graves para muitas gerações futuras. É dever dos socialistas
revolucionários trabalharem ativamente pela construção das defesas dos
trabalhadores, forjando a unidade da classe na luta, combatendo frontalmente o governismo, desmascarando o oportunismo reformista e
preparando a tomada da direção das lutas populares para apontá-las no sentido
da Revolução Social, a única garantia definitiva para os trabalhadores!
OUSAR LUTAR! OUSAR VENCER!CONSTRUIR O PODER POPULAR!