Causa do Povo

Nº 15# dezembro - 2004

O exemplo dos bancários na luta contra o governismo

         A última greve dos bancários, iniciada em 14 de setembro desse ano, que durou trinta dias, foi uma greve histórica não apenas pelos seus números. Uma das maiores da história da categoria, a primeira grande greve privada enfrentada pelo Governo Lula atingiu cerca de 18 capitais e mobilizou mais ou menos 200 mil trabalhadores (50% da categoria). Entretanto, mais do que números, a greve dos bancários foi fundamental para desmascarar os setores governistas infiltrados nos sindicados e nos movimentos sociais em geral e mostrar que o único caminho para todos os setores da classe trabalhadora é o rompimento com o Governo Lula.

         Desde o início da greve a base e os setores mais combativos dos bancários enfrentaram a dura oposição dos governistas, isto é, as várias correntes petistas, especialmente a Articulação, o PCdoB, os defensores da CUT e todos os simpatizantes do Governo Lula, que lançaram mão de inúmeras manobras e boicotes para impedir a luta da categoria.

         O enfrentamento entre os governistas e a base dos bancários não pode ser entendido como algo isolado ou específico da categoria, mas sim como um confronto inevitável no interior dos vários setores do movimento popular. Ou seja, a vigência de um governo reformista infiltrado nos movimentos populares produz uma divisão no meio do próprio movimento. Portanto, faz-se necessário a compreensão desse novo desafio para as forças populares brasileiras.

         O reformismo surge como uma das várias revisões que as teorias socialistas sofreram ao longo da luta de classes. Seu pressuposto fundamental é defender a tese de que a partir da eleição de “lideres dos trabalhadores”, um conjunto de “reformas” é implementado para “humanizar” o capitalismo, diminuindo a miséria e a opressão. Na verdade, os reformistas são os pelegos que tentam manter um discurso de esquerda, mas, como todo pelego, suas ações beneficiam apenas a burguesia e os trabalhadores são mantidos nas mesmas condições de exploração e dominação.

A estratégia de utilização de governos reformistas é duplamente favorável para a burguesia, pois a classe dominante garante a gestão do sistema com todos os seus mecanismos de exploração, e amarra os movimentos sociais, uma vez que a elite dirigente é formada por setores ou grupos ligados às entidades da classe trabalhadora.

Ora, se “representantes dos trabalhadores” estão no governo, criticar o governo significa criticar o movimento dos trabalhadores. Trata-se portanto de uma lógica que acorrenta e esteriliza a classe trabalhadora, porque cria uma dinâmica de colaboração de classe, onde os trabalhadores abandonam a luta para participar da regulação do sistema capitalista.

         Sendo assim não é nenhum absurdo que os dirigentes dos bancários, comprometidos com o governo petista, não tenham medido esforços para impedir a continuidade das reivindicações da categoria. Dessa forma, o acirramento da luta de classes se dá também no interior das entidades do movimento popular: de um lado os revolucionários e de outro os traidores colaboracionistas. Essa traição não pode ficar impune, os setores mais combativos e verdadeiramente revolucionários têm o dever de denunciar e expurgar os governistas do interior dos movimentos. No movimento estudantil, sindical ou comunitário, existem algumas tendências que combatem o governismo.

         A luta dos companheiros das bases dos bancários e dos setores mais combativos contra os governistas é um exemplo a ser imitado pelo conjunto dos movimentos populares. A tendência é de generalização desse tipo de conflito.

Avante, rumo ao Socialismo!!

 

 

Narcotráfico, Estado e Burguesia: íntimas relações!

No Brasil de nossos dias, principalmente em nossas grandes capitais, a propaganda dos grandes meios de comunicação da classe dominante, juntamente com todo o discurso dos representantes dos governos, ONG´s e universidades, levam quase que automaticamente o povo como um todo a associar a idéia do narcotráfico com as camadas mais empobrecidas das massas trabalhadoras urbanas. É praticamente um consenso a idéia de que a solução dos diversos problemas causados pelo narcotráfico exigem uma política repressiva centrada nas comunidades populares de favelas e periferias dos grandes centros urbanos do país.

Ocasionalmente, no entanto, algumas recentes operações da Polícia Federal realizadas em diferentes regiões do país têm demonstrado uma outra associação, mais direta e menos clara para a população: aquela que se estabelece entre o narcotráfico, empresários e membros da alta esfera estatal, incluindo deputados, prefeitos e senadores. Além do mais, no contexto destas operações tem vindo à tona a íntima vinculação, desenvolvida por estes "figurões", entre a prática do narcotráfico e outras atividades criminosas do "colarinho branco" como lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

Duas coisas precisam, desde logo, ficar claras: em primeiro lugar, estas ações da Polícia Federal não representam mais que uma tentativa do Governo Lula de mostrar ousadia, já que em economia e política mantém seu governo totalmente subordinado às ordens do grande Capital e do Imperialismo. Em segundo lugar, as operações e prisões promovidas pela Polícia Federal expõem apenas uma gota no que é o oceano de corrupção e crimes no qual a burguesia e seu Estado vivem mergulhados. Na verdade, toda a lógica de funcionamento do Estado burguês, principalmente em um país capitalista dependente como o Brasil, se fundamenta nas clandestinas trocas de favores, privilégios e negociatas relacionadas com todo tipo de atividade criminosa.

O narcotráfico, juntamente com o tráfico de armas e o tráfico de seres humanos - principalmente mulheres e crianças - são atividades econômicas que ocupam posições elevadíssimas na escala de lucratividade dos negócios capitalistas, internacionalmente falando. O Brasil já é o segundo país onde mais se consome drogas ilegais no mundo, ficando atrás, apenas, dos Estados Unidos. Todo este consumo movimenta muitos milhões de dólares anualmente.

Além do consumo, o Brasil também é um grande produtor, fundamentalmente no que diz respeito à maconha, que é produzida em grande escala no sertão pernambucano, onde os esquemas pára-militares do narcotráfico implantam o terror entre a população camponesa miserável. O chamado "Polígono da maconha" já é hoje uma das regiões mais violentas do país, superando em número de homicídios por cada 100.000 habitantes, a muitos grandes centros urbanos brasileiros, e mais uma vez as vítimas desta violência são as massas trabalhadoras, na maioria das vezes, já vitimadas pela miséria e pela fome.

A administração direta e indireta dos milhões gerados pelo narcotráfico e todas as atividades econômicas relacionadas com ele no país, se concentra nas mãos de grandes empresários, banqueiros, latifundiários, políticos e militares, brasileiros e estrangeiros, e o próprio funcionamento de todo este esquema depende da manutenção da dominação burguesa sobre o povo através do Estado, suas leis e seus corpos repressivos. Desta maneira, qualquer luta séria contra o narcotráfico tem, obrigatoriamente, que ser levada adiante pelos trabalhadores, e deve estar apontada contra a burguesia, a verdadeira responsável por esta catástrofe que assola os mais pobres, oprimindo os campos, os bairros operários e as favelas, e ceifando a vida de nossa juventude.

As medidas repressivas exigidas histericamente pelos meios de comunicação do Inimigo de Classe, significa para as massas populares apenas mais violência, agressão e arbitrariedade, pois a própria polícia corrupta da burguesia é um dos principais pilares dos esquemas criminosos do narcotráfico. A burguesia condena nosso povo ao vício, à prisão e à morte e nós precisamos responder com organização e luta. Somente combatendo o capitalismo e a burguesia podemos livrar nosso povo do flagelo do narcotráfico e construir um futuro de liberdade e igualdade em nosso país baseado no Poder Popular e no Socialismo.


Com os Oprimidos! Contra os Opressores! Sempre!

Todo Poder ao Povo!