Jornal
da União Popular Anarquista - UNIPA Nº 13 # Agosto/2004
Venezuela: É preciso
superar o Chavismo!
No último dia 15 de agosto de 2004, o povo venezuelano
apresentou-se para participar do referendum que decidiria a respeito da
permanência no cargo ou não presidente Hugo Chávez. O resultado da votação, que
contou com um massivo comparecimento às urnas, revelou uma franca vitória
(quase 60% dos votos) dos chavistas, ou partidários do presidente Chávez. O
resultado foi reconhecido pelos observadores internacionais, mas só
posteriormente pelo governo dos EUA, e os setores da oposição direitista ainda
não o reconheceram, e provavelmente não virão a reconhecê-lo.
O presidente
Hugo Chávez é um oficial das forças armadas venezuelanas que apareceu na
política de seu país no ano de 1992, ao comandar uma fracassada tentativa de
golpe contra a coalizão neoliberal que governava a Venezuela. Em 1998 foi
eleito presidente da república e em 2000 foi reeleito, nas duas vezes com forte
apoio popular. Desde então, Hugo Chávez vem implementando uma série de reformas
políticas e sociais em seu país que têm garantido uma forte adesão de
importantes setores populares e da esquerda a seu governo. Enquanto, por outro
lado, vem se desenvolvendo contra Chávez uma raivosa oposição por parte das
forças organizadas da burguesia e do Imperialismo norte-americano, em especial.
Esta oposição cresce de acordo com o tom anti-imperialista
do discurso presidencial.
É importante
destacar que em nenhum momento as políticas implementadas por Chávez, impuseram
o fim da dominação burguesa ou da supremacia imperialista na Venezuela. De um
lado, a burguesia venezuelana continua tão senhora do sistema econômico do país
quanto sempre o foi, e de outro, as transnacionais do imperialismo continuam
agindo, e lucrando, livremente em território venezuelano, sendo este país ainda
um dos maiores fornecedores de petróleo para os EUA sob condições extremamente
favoráveis. Ainda assim, em 2002, uma coalizão ultra-reacionária de setores
empresariais e militares apoiados diretamente pelo governo Bush, lançou um
breve e fracassado golpe de Estado contra Chávez, o qual garantiu seu governo
com base nas massas populares que se mobilizaram para defendê-lo. Logo após, um
bloqueio patronal da economia venezuelana por parte desta mesma oposição
direitista foi novamente derrotada pela mobilização popular chavista.
Este recente
referendum faz parte do processo de conspirações, tramas e golpes que a
burguesia venezuelana e o Imperialismo vem lançando, e vendo fracassar, contra
o governo Chávez e o massivo suporte popular que o sustenta expresso no
Movimento Bolivariano. Deve-se ter claro que os reacionários querem tomar o
poder para fazer recuar as reformas implementadas por Chávez, mas
principalmente para novamente acorrentar e amordaçar as massas populares venezuelanas
e seu estado de ânimo classista. O governo Chávez mostra-se fraco e tímido
frente à burguesia e ao Imperialismo. O caráter autenticamente burguês e
puramente reformista de sua "revolução bolivariana" impede o chavismo
de lançar uma ofensiva política e econômica contra os ultra-reacionários
minimamente a altura dos crimes que estes vêm cometendo. A oposição golpista e
imperialista continua controlando os meios de comunicação e a base da economia,
enquanto suas organizações agem livre e impunemente no país.
Somente a classe
trabalhadora organizada numa ampla Frente dos Oprimidos pode superar os limites
do Chavismo e destruir as bases políticas e econômicas do poder
burguês-Imperialista dos capitalistas. A palavra de ordem deve ser expropriar e
coletivizar todos os meios de produção e de vida – a começar por aqueles em
mãos dos reacionários. A construção e consolidação firme do
Poder Popular, colocando no controle da vida política e econômica do
país o proletariado, aquele que mais perderia com uma vitória dos reacionários
imperialistas, é a única saída realmente favorável às massas populares para a
crise que se instalou no país. Negar-se a isto é aceitar entregar totalmente o
poder, cedo ou tarde, aos ultra-reacionários pró-Bush.
Ir ao povo – lutar para
organizar,
organizar para lutar!!
Eleições X Organização popular
O circo está armado mais uma vez. E a farsa
continua. Os palhaços fazem das suas. É palhaço denunciando palhaço, brigas e
muita, muita conversa fiada. Mas não se engane, é tudo mentirinha. É o show
milionário das campanhas eleitorais. No entanto, o aplauso dado pela platéia
tem como resultado as péssimas condições de vida da população pobre, do povo
que sofre com a falta de saúde, educação e até de saneamento básico,
especialmente os moradores da Baixada Fluminense que ainda registra casos de
doenças e mortes provocadas pela ausência de coleta de lixo e sistemas de água
e esgoto.
A cada dois anos a história se repete. Lá
estão os mesmos grupos. E mesmo que haja a chamada "renovação" com
carinhas novas dizendo que fazem política de outro modo, as coisas vão
continuar as mesmas, porque a única política que atende aos interesses do povo
é aquela feita por nós mesmos. A auto-organização do povo é a única forma de
termos uma vida digna.
O povo é quem mais sofre com as cobranças de
impostos. É do pãozinho ao remédio, tudo tem imposto embutido. E na hora que
precisamos de atendimento médico, temos que contar com a sorte para não vermos
morrer aqueles que amamos, aqueles que com o suor do seu trabalho sustentam os
ricos que assim podem pagar seus planos de saúde, alimentando os tubarões da
iniciativa privada que fazem da saúde um negócio bastante lucrativo.
Em época de campanha é comum
em todo o Rio de Janeiro funcionários de hospitais públicos pedirem
votos para os candidatos que apoiam em troca de marcação de consultas médicas.
Aquilo que é um direito nosso, ou seja, o atendimento médico digno vira um
benefício valioso e tudo se passa como se fosse uma troca de favores. Desse
modo, o povo tem diminuída as suas mazelas, é o
parente que por causa da consulta marcada, do tal "favorzinho",
acabou não morrendo na fila de espera.
Mas a realidade continua a mesma, os hospitais
são sucateados, os profissionais mal pagos, as pessoas morrendo pelos corredores
frios dos hospitais, as emergências sempre lotadas, o atendimento precário, os
equipamentos básicos quebrados, velhos e defasados. É o eterno descaso com a
saúde, o desrespeito ao povo.
Essa é política que beneficia a burguesia e o
Estado, os ricos e poderosos. E essa é a estratégia deles, fazer com que as
pessoas não acreditem em si mesmas, não acreditem na força do povo e continuem
achando que a conquista de seus direitos depende da ação de algum político
influente.
Mas temos que acreditar na força do povo
organizado. Se precisamos de saneamento básico,
educação para nossos filhos, saúde para nossos idosos, transporte de qualidade
para os trabalhadores e estudantes, de emprego e moradia temos que criar
organizações populares autônomas onde moramos, trabalhamos e estudamos para
lutarmos por tudo isso e muito mais.
Devemos lembrar que todos os direitos que temos hoje só foram conquistados porque pessoas do povo como
nós lutaram e muitas deram suas vidas para que todo o povo pudesse Ter uma vida
melhor. Por isso, chega de farsa, o voto é a arma dos inimigos do povo, não a
nossa. Em vez das urnas, vamos às ruas. Em vez da acomodação, a organização e a
luta popular.
Todo o poder para o
povo!
Basta de farsa
eleitoral!
Anarquismo é luta!!