Jornal da
União Popular Anarquista – UNIPA Nº 11 # Abril – 2004
A democracia burguesa, a corrupção e o PT:
farinha do mesmo saco
Waldomiro Diniz,
o subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da Republica, o homem que
negociava a parte suja da arrecadação de dinheiro do PT, foi desmascarado.
Aw
evidencias se acumulam e só mostram, mais uma vez, que a democracia
burguesa e o PT realmente estão amarrados, em uma aliança que já envolve o
desvio de dinheiro, a negociata com bicheiros, o favorecimento nos contratos de
governo, e muito mais que o povo nem sequer imagina de tanta sujeira.
Waldomiro
ocupava um cargo de confiança do Ministro mão-de-ferro do governo Lula/FMI - José Dirceu - e já assessorava as negociatas
desde 1994, quando ainda estava como assessor do então governador do Distrito
Federal, Cristovam Buarque - até há
pouco ministro da educação de Lula.
Com o favorecimento na disputa em várias concorrências públicas
para a exploração de jogos, bingos, loterias, e tudo o mais que estivesse ao
seu alcance,`Waldomiro negociava com bicheiros e até
representantes da máfia italiana no Brasil. Do dinheiro arrecadado, ficava com uma pequena parcela e repassava o resto para os núcleos
políticos do PT.
Neste esquema, pelo pouco que se sabe, foram 100 mil reais para a
campanha de Geraldo Magela ao governo de Brasília, e
em torno de 150 mil reais por mês para`Benedita
da Silva e para Rosinha, nas campanhas para o governo
do Rio. Isso tudo sem contar o principal contrato da Caixa Econômica com a
multinacional Gtech, que rendia 130 milhões de reais
por ano.
Jose Dirceu fez
de tudo para atribuir toda a sujeira apenas ao Waldomiro. Rapidamente, despediu
seu assessor e disse que o PT não tem nada a ver com os fatos. Arrumou um bode
expiatório.
Não é a primeira vez que o núcleo duro do PT tenta camuflar de
todas as maneiras possíveis a corrupção nos seus mais
altos cargos. A negociata e a compra de votos de parlamentares, a troca de
cargos por apoio político, o favorecimento de suas empresas nos concursos e
licitações públicas, são exemplos dessa desonestidade. Afinal, assim funciona
toda a política eleitoral burguesa e o PT cumpre seu papel de escudeiro do
capitalismo e de gerente dos interesses do Fundo monetário Internacional no
Brasil.
O PT ao longo de
sua trajetória, desde a década de 80, privilegiou a participação nas eleições
burguesas à luta classista, combativa e autônoma da classe
trabalhadora. Decidiu tomar o poder através das eleições e aí está o
resultado a que chegou. É o representante dos grandes capitais e especuladores
internacionais e dos grandes latifundiários.
No primeiro ano de governo já retirou direitos dos trabalhadores
com a "Reforma da Previdência" e aumentou o lucro dos bancos como o
do grupo Itaú, que nunca havia faturado tanto em toda a sua história. Manteve a
política de favorecimento dos grandes latifundiários e não moveu um dedo para
fazer a reforma agrária, mantendo a meta de superávit primário estipulada pelo
FMI e pelos EUA. Isso tudo com o apoio de uma nuvem de fumaça dos movimentos sociais,`centrais sindicais e estudantis controlados pelo PT
ou à sua disposição, que tem confundido e sabotado a luta da classe
trabalhadora, da juventude e do povo.
O PT, apesar de
ter mobi|izado ow
trabalhadores durante a sua formação há vinte anos atrás, escolheu a política
burguesa. A alternativa burguesa não leva nossa classe à vitória contra a
exploração, a desigualdade e a pobreza do Brasil. Só leva à colaboração com uma
"democracia" que não nos serve senão para nos matar.
Somente uma alternativa de luta que tenha autonomia frente e
política burguesa, a exemplo do que foram a Associação Internacional dos
Trabalhadores e os conselhos populares russos (os Soviets),
pode construir a saída digna possível para o povo brasileiro: a Revolução
Social.
Avante a Luta Autônoma e Revolucionária do
Povo!! Abaixo a colaboração burguesa!!
A Sociedade do Massacre: violência
policial e controle da população pobre.
No dia 04 de Março de 2004, policiais
militares do GPAE (Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais) invadiram a
favela do Pavão-Pavaozinho em Copacabana.`Na ação morrera} três moradores. Em razão disso, a
população da favela realizou uma série de protestos na mesma noite, apedrejando
viaturas e lojas, queimando pneus e fazendo barricadas, já que os mortos teriam
sido exegutados pelos PM´s.
Os moradores acusaram os policiais de executar
inocentes. O comando da PM, como sempre, disse que os mortos eram traficantes.
O Secretario de Segurança, Anthony Garotinho, definiu como medida enquadrar
todos os envolvidos em protestos do gênero por crime de "associação para o
tráfico".
Quando se trata`da violência contra a favela o absurdo se torna
banal. A polícia invade áreas pobres e mata. Os moradores protestam acusando os
policias de abuso de poder. O Estado diz que vai apurar os fatos, mas antes de
qualquer apuração e conclusão jurídica condena antecipadamente todos os
moradores que se envolverem em manifestações, que visem pressionar o Estado,
pelo crime inafiançável de "associação para o tráfico".
Quando o Governo criminaliza
a organização popular está promovendo a repressão política. Esta repressão visa
também acobertar os crimes dos policiais, porque ympede
a pressão legitima das vitimas para agilizar a apuração. E sem a pressão da
favela, a apuração não é feita e os policiais ficam impunes, com licensa para matar novamente.
A impunidade e a corrupção dos policiais só se
mantém`graças à cumplicidade
das autoridades, partidos e organizações burguesas e reformistas com o massacre
do povo. Cinicamente Ong´s e
partidos burgueses fingem condenar a violência, quando na verdade dependem dela
e desta policia assassina e corrupta, para manter seus privilégios.
Se analisarmos os últimos "casos
isolados" de assassinat por violência policial
que vieram a público, veremos que eles estão relacionados com a própria
organização da sociedade capitalista: o assassinato de Sandro por policiais do
BOPE (Batalhão de Operações Especiais) no caso do ônibus 174, a morte do
estudante que foi espancado na delegacia de`Cabo
Frio e a tortura seguida de homicídio do Comerciante Chinês roubado pe|os policiais.
Esses são casos que depois do estardalhaço da
mídia caem no esquecimento, e que confirmam o que só cego não vê: a polícia
mata porque tem permissão para0isso.
Permissão de quem? Permissão do Garotinho e de
todas as agências de Estado. Permissão do judiciário, que encobre`fatos. Permissão da burguesia racista do Rio
de Janeiro, que nunca`sacia
sua sede de sangue. Permissão também dos reformistas do PT, como a
ex-governadora Benedita, que comandou essa máquina assassina. Permissão da
própria policia, porque é ela quem investiga seus próprios crimes e nunca –
obviamente – encontra provas que a incriminem.
Segundo dados do Movimento Nacional de
Direitos Humanos, o Estado do Rio de Janeiro ocupa o topo d ranking de
corrupção e de mortes de civis nas mãos de policiais, com uma média de 3,5
civis mortos para cada 100.000 pessoas em 2001.
Esse Estado também lidera (junto com São
Paulo) a categoria de impunidade contra crimes policiais. No Rio, apenas 7,4%
das denúncias públicas levam a alguma ação punitiva. Denúncias de corrupção
policial somam cerca de 30 % de todas as recebidas pelos magistrados no Rio.
Esta violência se exerce obviamente sobre a
população pobre e trabalhadora. E vimos claramente que a violência se combina
com a repressão política, como no caso da "criminalização"
dos protestos dos moradores de favela, sem nenhum fundamento jurídico,
julgamento ou investigação.
A ditadura burguesa no Rio de Janeiro se
mostra escancarada. A guerra, ou melhor o massacre –
movido pelo Estado burçuês contra os pobres - avança
como um moinho satânico, consumindo milhares de vidas. O Estado depende dessa
violência. A burguesia depende do Estado, e logo da violência. Por isso o
massacre vai continuar.
E é esse massacre que exigem - "babando
de ódio"- os burgueses histéricos, que clamando
por "paz" querem é que os pobres sejam controlados , mesmo que isso
custe muito sangue inocente.
É preciso que nós, trabalhadores pobres e
moradores das favelas, comecemos a lutar contra isso.
Chega de morrer na mão da polícia. Chega de ser chamado de "bandido"
por governantes assassinos, corruptos, acobertadores
de crimes. É hora de nos organizarmos. É hora de lutarmos pela defesa dos
nossos direitos contra a violência policial e pela libertação popular.
Somente
a nossa organização e luta pode barrar a violência. Somente a solidariedade
é capaz de gerar a força para esta luta. Por isso irmãos, nos
organizemos. A luta é dura, longa e sangrenta.`Mas
nosso sangue já não está mesmo sendo derramado? Por isso passemos para a
organização e a luta!
Contra a violência policial
: Revolução Social !
Anarquismo é Luta !!