Causa do Povo

Jornal da União Popular Anarquista – UNIPA Nº 10 #– 2004

 


 

OS MUROS DA UNIVERSIDADE PÚBLICA DEVEM CAIR

 

 

            Já não é de hoje que sabemos que a universidade pública está sob forte ataque. Desde a consolidação do neoliberalismo em nosso país, com o governo de Fernando Henrique Cardoso, passou a avançar uma idéia sobre o ensino superior público na qual não cabe sequer uma ampliação mínima no acesso das massas populares. De acordo com o ponto de vista burguês, a universidade pública deve se voltar exclusivamente para a satisfação das necessidades do lucro e da ganância do empresariado. Para isto, as Classes Dominantes têm cada vez mais cortado os recursos públicos destinados ao ensino superior, diminuído o número de vagas disponíveis e subordinado toda a produção científica e tecnológica aos interesses anti-populares da acumulação de riquezas e da dominação burguesa. Ultimamente temos diante dos olhos a reação agressiva do empresariado e de suas elites dirigentes ao aumento da pressão por parte dos estudantes pobres no sentido de garantir o seu direito ao ensino superior público.

            No Estado do Rio de Janeiro, onde o nefasto casal Garotinho soube se aproveitar eleitoralmente do sistema de cotas para estudantes negros e originários da rede pública instituído nas universidades estaduais, a situação começa a se alterar contra os trabalhadores, como já era esperado. Depois de vencer as eleições, este governo – como todos os outros – deixa claro que está do lado dos interesses burgueses e contra as necessidades das massas populares. Já não é mais necessária a demagogia, e o casal Garotinho corta fundo na carne dos estudantes pobres. Na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e na UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense), os estudantes que ingressaram através do sistema de cotas: os cotistas, sofrem um ataque violento vindo de diferentes frentes.

O programa de assistência estudantil elaborado pelo governo estadual para auxiliar o estudante cotista não passa de uma magra bolsa incapaz de atender as suas reais necessidades. Por outro lado, mesmo esta magra bolsa ainda é distribuída segundo critérios absurdos, incompreensíveis e inaceitáveis. Além do mais, por estar destinada apenas aos alunos cotistas, a bolsa oferecida por este programa do governo estadual ainda exclui os demais estudantes pobres da universidade, criando assim uma tensão entre estudantes cotistas e estudantes pobres não-cotistas: é o famoso “dividir para dominar”. Como se não bastasse, os estudantes cotistas ainda se vêem abandonados e desprestigiados pelos setores majoritários do movimento estudantil, composto pelos estudantes burgueses e pequeno-burgueses da esquerda colaboracionista.

Como anarquistas, sabemos que as conquistas do povo só se alcançam através da luta e da organização contra a Classe Dominante e seus cúmplices, e não esperando migalhas e esmolas. Assim, convocamos os estaudantes pobres e cotistas da UERJ e da UENF a se somarem aos demais estudantes pobres na luta pela conquista de uma universidade pública que se já realmente aberta ao povo e a serviço do povo, que seja uma Universidade Popular. Devemos arrancar da burguesia o passe-livre para estudantes universitários, os bandejões, a moradia estudantil, o aumento do número e do valor das bolsas, o aumento do número de vagas, e fundamentalmente devemos exigir o fim do vestibular e o livre acesso à universidade pública para todos os estudantes saídos do ensino médio, como na Argentina e no México.

 

Pela Universidade Popular: aberta ao povo, a serviço do povo!

Pela construção do Poder Popular!

Ousar Lutar! Ousar Vencer!

 

 

 

Com o povo unido, as Reformas no passarán!

 

O ano de 2004 será de muito trabalho e muita luta para aqueles que se colocam realmente junto às demandas do povo, pois enfrentaremos dois grandes golpes contra as conquistas históricas dos trabalhadores, a Reforma Universitária e a Reforma Trabalhista mostrarão mais uma vez a face neoliberal do governo petista.

A barganha política das trocas ministeriais demonstra claramente um posicionamento estratégico do governo para garantir os apoios necessários para um modelo de Reformas que sirva aos interesses das elites nacionais e internacionais diminuindo a qualidade do ensino superior e das condições de trabalho que já estão no limite da penúria e do sucateamento.

O governo Lula já apresentou em entrevistas e reportagens da Rede Globo que o trabalhador brasileiro custa muito caro para os empresários que gastam até três vezes o valor do salário do trabalhador para manter os direitos trabalhistas garantidos por lei e conquistados com a luta e o sangue do nosso povo. Existe uma pressão muito grande do empresariado nacional, os mesmos que colocaram o PT no poder,  pela flexibilização dos direitos dos trabalhadores como: Férias remuneradas, 13º salário, Previdência Social, Descanso remunerado aos fins de semana etc...

Voltaremos aos tempos negros do início da industrialização onde os trabalhadores tinham jornadas de 16 horas diárias, sem férias ou descanso remunerado além do total abandono do Governo que mantém a situação de miséria e fome do nosso povo prometendo algumas cestas básicas apenas para nos manter trabalhando.

Além de um futuro incerto para o trabalho teremos uma Reforma Universitária que tem como objetivo atrelar o ensino superior ao mercado empresarial acabando com o ensino superior gratuito e mais uma vez criando políticas compensatórias pautadas em migalhas como créditos educativos e bolsas de estudo para poucos.

Só existe uma postura a ser tomada para que nossa situação não piore ainda mais, a luta e a organização do povo em espaços realmente combativos e autônomos com a união popular colocaremos o governo contra a parede pois as greves isoladas não surtirão efeito, como foi no caso da Reforma da Previdência,  por isso temos que parar este país, cruzar os braços nas fábricas, fechar as ruas e estradas e levantar as bandeiras reivindicando as greves gerais do início do século que pararam o RJ e o movimento estudantil combativo da década de 60 que enfrentava com coragem as baionetas dos soldados da ditadura.

Apenas um levante popular organizado e unido poderá deter as Reformas que em curto prazo aumentarão a legião de desempregados e miseráveis existentes hoje em nossa terra por isso exigimos imediatamente a abertura de frentes de trabalho, um salário digno para o trabalhador, melhoria das condições do trabalho, o passe livre nos transportes urbanos para os desempregados, aumento das garantias dos trabalhadores de todos os setores produtivos e de serviços além de uma “Revolução” nas universidades por uma Universidade Popular contra a privatização do ensino público, pelo livre acesso ao ensino superior com o fim do vestibular e por uma assistência estudantil digna.

Ou nos organizamos para a luta e a vitória do povo oprimido contra as injustiças cometidas pelos governos e empresários pertencentes a elite ou continuaremos a viver na miséria absoluta para sempre.

 

Avante na Luta! Recuar jamais!

Viva a luta do estudante e do trabalhador!

Contra as reformas e as baionetas do Estado!